29 julho, 2015

«Porque o PCP não quer ser poder?», perguntou-me ele


Não me passa pela cabeça falar da intimidade de um almoço, mais a mais tratando-se de um jovem quadro de um partido do governo, desalentado por o projecto em que se empenhara (e empenha) ter emperrado. Emperra, estrangulado pela burocracia e por mais um montão de dificuldades. 
O convite partiu dele, como resposta minha ao seu expressivo lamento: "o investimento é tratado com oportunismo, e os oportunistas são tratados como investidores"... A conversa, diversa e dispersa, aflorou um pouco de tudo. Os filhos dele, e as filhas minhas. Os avós. A educação e os valores. Os referenciais das crianças e como sabemos se as educámos mal ou bem. Depois, e porque as palavras são como as cerejas, falámos das motivações profissionais e as opções que temos de fazer na vida e o custo que isso tem. De vez em quando fazia um ó de espanto, mas acreditando no que me ouvia. Entretanto eu acreditava no que ele me dizia. 
Quanto ao que falámos de política, Jerónimo hoje fez um excelente resumo, em 19 minutos, do que eu lhe disse. Depois de me declarar, sem que lhe tivesse perguntado, qual ia ser o seu voto, lançou-me a pergunta sacramental:
Porque o PCP não quer ser poder?
Será, quando o povo quiser! 
(despedi-mo-nos sem que lhe dissesse que votar em branco nem será um grito de alma e combinamos novo almoço lá para Outubro)

7 comentários:

ematejoca disse...

Ontem à noite li este texto e fiquei confusa. Pensei que a razão da minha confusão era o cansaço; esta manhã li o texto uma outra vez... continuo confusa.

Votar em branco não é uma boa alternativa, camarada Rogério, mesmo que a sugestão venha do nosso Nobel.

Se o PCP recusa o poder, temos o Pedro Passos Coelho mais quatro anos ou o António Costa a governar com os desalinhados.

Queres isso, Rogério???

M. de Noronha disse...

Dou-lhe toda a razão na resposta. É preciso que o POVO queira e, para isso, tem de ir votar, sem ficar em casa ou na praia. Aprendamos alguma coisa com Timor, nem que seja votar riscado por não confiarmos em qualquer dos partidos.

heretico disse...

que outra coisa esperar de Jerónimo de Sousa? é uma pessoa atenta e sagaz, por isso fazer "excelentes resumos" das tuas conversas deve ser canja...

abraço, meu caro Rogério

Rogerio G. V. Pereira disse...

Teresa,3 recados:

Não há duas sem três
leia outra vez!

Saramago, fez excelentes metáforas
mas também as teve ambíguas e fracas...

O PCP não recusa o poder
sê-lo-á quando tiver que ser

"O Pequeno Caminho" disse...

O PCP não quer ser poder porque tem medo. Também, porque quer apontar o dedo e não quer que lho apontem.

"O Pequeno Caminho" disse...

O PCP "vota" PCoelho. É uma escolha entre PS e PSD/CDS ele escolhe a direita que não lhe rouba votos.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Pelo lido, não é apenas o caminho que é pequenino...