11 julho, 2015

Quando a má sorte mudar...


Cada objecto guardado tem a sua história. Se exposto, a história pode ser contada, porque os objectos guardados o são por mais que uma razão, mas há uma primeira: são íntimos. Se os mostrados estão arrumados tal significa que estamos sempre prontos para contar a sua história. Se os objectos são fotos, a história pode ser longa. Como nunca guardamos fotos não queridas, sabe bem falar das expostas... Depois há as estátuas, e aí as histórias que elas de si contam apelam a outra memória e um pouco à imaginação. E temos os barcos... Ele, como eu, gosta de barcos. Pediu um, aquele. Colocou-o no chão e foi-o empurrando simulando navegar.
- Que mais gostarias de ser? Marinheiro? Pescador?
- Pescador!
- Pescador? Se tal vieres a ser, três sortes terás de ter. Não num dia, mas na vida toda!
- Três?
- Sim, três: sorte para teres bom tempo e mar manso, sorte para encontrares o cardume e capturar o pescado e sorte para que a venda te renda. A sorte mais difícil de ter é esta, a da venda...
- Porquê?
- Porque é uma má sorte imposta ao pescador!
Ele olhou-me muito sério e não tenho a certeza de ter entendido.
- Posso levar o barco?
- Quando a má sorte mudar, podes levar!