22 julho, 2015

Se eu pintasse... escolhia, como tema, a utopia



"Todo artista busca seu Taiti, mas apenas Gauguin o encontrou e ninguém mais poderá encontrá-lo enquanto tudo aqui não for transformado, de modo que cada um possa criar em qualquer parte seu próprio Taiti imaginário."
Georg Lukács (ler aqui)
Num manifesto lido por aí, Barnett Newman fala de arte sem que tal escrito alguma contestação me mereça. A questão não é essa. Acho até o manifesto acertado, pena que o artista tenha desistido de pintar o paraíso.

------INICIAÇÃO À PINTURA-----
“Pinte-se o céu da cor que te aprouver,
Faça-se luz no traço em movimento,
Cozinhe-se outro mundo, a fogo lento,
E engendre, o coração, quanto puder! 
Reinvente, cada homem e mulher,
A génese adequada a cada intento
Roubando a tempestade ao próprio vento
E a centelha de cor que se acender! 
Depois… é uma dança, um medir forças
Dos braços que se movem como corças
Sobre a nudez da tela ou papelão… 
E não se pára enquanto o fim não chega!”
Relembro enquanto a força se me nega
E a cor se me desfaz num turbilhão…
Maria João Brito de Sousa (daqui, reeditado)