19 setembro, 2011

Metamorfose - V (Pedra, depois pó e finalmente vida)


Olhei a pedra
Fria, Estúpida, Parada
Calada
De tanto a olhar, julguei-a bela
transformei-me nela
Frio, Estúpido, Parado
Calado
Sem destino sequer
de pedrada no charco
Sujeito à degradação do relento
e à erosão do vento
em breve serei pó

Não olhes para mim, assim
Mexe-te, ao menos

A pouco e pouco se mexeram
e num repente
o Mundo assistiu
ao despertar das pedras
_________________Rogério Pereira

NOTA DO AUTOR:  A parte escrita a verde, é uma acréscimo posterior à edição original. Segundo os primeiros comentários, não se espera de mim mensagens negativas nem derrotistas. Eu concordei e como um poema não se emenda...  

21 comentários:

ariel disse...

" de tanto a olhar, julguei-a bela"

Gostei.

:))

São disse...

Gostei do poema, mas não vejo o Rogério a ficar parado, calado, ...

Serena noite

Mery disse...

Mexeu, sim ...
olhar as pedras, elas não nos incomodam, não é...
e de tanto olhar pensei que era uma companheira,e assim será um dia, se virar pó, se o tempo agir sobre ela .
Ai, fiquei a ver navios...em vez das pedras.Me confundi toda.
Um beijo do Brasil, Mery

Rui Pascoal disse...

O que acabo de ler está em perfeita sintonia com o seu acto de cidadania.
Parabéns!

acácia rubra disse...

Até entendo o que escreve.

Não concordo, de maneira nenhuma com o "Frio, Estúpido, Parado Calado".

Arranje uns antónimos...

Vá, Rogério,

"Não olhes para mim, assim
Mexe-te, ao menos",

arranje-os que o caracterizam muito melhor !

Beijo

Rogério Pereira disse...

Isso era
na era
em que fui pedra

Depois
Houve o despertar

Acredite quem acreditar
Haverá (vai chegar)o tempo
do despertar das pedras

Gisa disse...

Mexo-me sim
Danço em volta tua
Pedra fria, estúpida, parada e calada
Voo sobre essa aura estática que ostentas
E com o meu vento.
Antecipo a tua erosão
Afastando todo o pó que se acumulou em ti
Durante os anos ao relento.
Esculpo-te com cuidado
Cuido dos menores detalhes
Faço-te novamente imagem humana
Satisfeita com o resultado, sorrio
Enquanto te aqueço com meu corpo e envolvo-te em meus beijos
Até devolver-te inteiramente a vida tua
Que havia guardado, sorrateiramente, em mim.

Catarina disse...

Quem disse que as pedras tb sentem?

Celina Dutra disse...

Senti alívio com os versos em verde! Mas os anteriores já anunciavam que o pó não se faria! Ainda que demore, as pedras despertarão. Tenho confiança nisso. Belo poema e mensagem linda e necessária!

Girassóis nos seus dias!
beijos

Eva Gonçalves disse...

Admiro a sua persistência na eterna luta pelo despertar das pedras...e o próprio poema está muito giro e é a cara do Rogério que é porta-vos de um farol das suas maiores convicções... beijinho

O Puma disse...

Pedras
despertai

... e que não sejam poucas

Rosa dos Ventos disse...

Nem as pedras aguentam tanto adormecimento!

Filoxera disse...

Gostei muito do despertar das pedras.
E deixa-me agradever-te o comentário no Escrito a Quente, que tão bem me soube. Obrigada.
:-)
Beijos.

Fátima disse...

Olá Rogério,

"...Com a experiência,
Passa a ser lapidada.
O tempo dirá o valor,
Da pedra rara encontrada."

Já me senti pedra, e ás vezes ainda esfrio ou solidifico como tal...mas passa.

Obrigada pelas palavras, adorei!

Beijo meu

Janita disse...

Rogério.

Segundo a sua nota, um poema não se emenda. (concordo)

Como o meu amigo mudou o seu parecer, porque derrotista não
quis ser, de verde coloriu o despertar das pedras.

"Mexe-te, ao menos"

Perante tal exortação como poderia eu ficar fria, parada, estúpida e calada...?

Eis o meu despertar:

A tinta verde cria jardins
onde nascem ilusões
Desperta pedras
onde brilham letras
Palavras feitas
de constelações.

Pó seremos, mas imortais
só vós... poetas!

Um abraço ao poeta.

Janita

( Peço-lhe a benevolência de entender que as pedras não têm todas o mesmo despertar...))

AC disse...

Gostei do poema, Rogério.
Vai perdoar-me, mas gosto mais dele sem a parte escrita a verde.

Abraço

Anónimo disse...

Esperemos então pela metamorfose aconteça.

Ana Sofia

Rogério Pereira disse...

AC

eu também

Acho a parte verde outro poema

OceanoAzul.Sonhos disse...

Rogério, gostei muito do poema. Mas as pedras que são pedras jamais sentirão.

Um abraço
oa.s

Sopro Vida Sem Margens disse...

Pergunta-me qualquer coisa sobre essa pedra
Essa pedra «Fria, Estúpida, Parada»
Talvez charco rijo, ilegível
Sem água sequer!
Pergunta-me qualquer coisa sobre essa pedra
Para que eu saiba calada
O antedizer lunar da falésia
À erosão do vento pedra!
Pergunta-me qualquer coisa sobre essa pedra
Possivelmente sabes o que quero que me perguntes…
E provavelmente sabes o que te quero perguntar…

© Piedade Araújo Sol disse...

lendo o que ainda nao tinha lido.

gostei!

um beij