28 dezembro, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 79 ( "Mata-me com os mesmos ferros/Com que a Lira morreu")

(ler conversa anterior)
“o recluso pode receber, através do correio, uma encomenda por mês remetida pelas pessoas que estejam registadas como seus visitantes, com o peso máximo de 5 kg cada”
- artigo 127, n.º1 do Regulamento Geral dos Serviços Prisionais, Governo de José Sócrates
«Se esse regulamento existe, ele é absolutamente contra natura, não tem qualquer senso. Isso é uma violação dos direitos fundamentais. Eles não podem condicionar o recebimento de uma correspondência ou de uma encomenda. Por isso, se esse regulamento existe, ele é arbitrário, é inconstitucional e tem de ser revogado porque foi elaborado por uma pessoa que não tem o mínimo de senso comum. Isso não se faz!»
- António Arnaut à TSF.

A Gaby ia comentando o que ia lendo, mesmo se as outras a não estivessem ouvido. "Lindo". O rafeiro olhava-a com aquele olhar com que os cães olham as pessoas de quem gostam.
O engenheiro, tirou os olhos do jornal para me perguntar se eu já tinha preparado o meu balanço do ano. Respondi-lhe que nada havia que se tivesse passado que merecesse ser assinalado.
"Não me diga... nem as lutas por que luta?, nem o BES, nem o descalabro?, nem os zigue-zagues  do Costa?, nem a detenção do Sócrates? Nem..."
Interrompi-lhe a longa enumeração para lhe fazer sentir que eram coisas antigas, que já aconteciam antes deste ano e que terão continuação.
"A detenção do Sócrates, não!"
"Jamais falarei disso, como já em tempos disse, citando o Jerónimo!"
"Mas começou o post a falar no assunto!..."
"Se ler bem, reparará que é das suas leis parvas o que de facto falo!"
"Quem com ferros mata, com ferros morre?"
"Ocorreu-me a canção, esse ditado não!"