27 dezembro, 2014

Os "Rhynchophorus Ferrugineus" e a metáfora que faltava

Os "Rhynchophorus Ferrugineus" vão-se desenvolvendo num ciclo maligno. São os Rhynchophorus Ferrugineus-óvulo, são os Rhynchophorus Ferrugineus-larva, são os Rhynchophorus Ferrugineus-pupa e também os em fase já adulta. Estes, aos milhares, são esbeltos, bem falantes e espertos. Em datas certas usam cravos ao peito. A palmeira ignora aquilo e mostra-se frondosa, vistosa, como se não passasse nada. Na escala do tempo em que se expressam as metáforas, o fenómeno dura pouco. Na escala dos países, tal significa anos, por vezes décadas. É tarde quando  a primeira palma descai apodrecida e já sem vida. Na escala do tempo da metáfora, esse é o indício que, depressa, toda a copa perecerá. Na  outra escala, a nossa, é maior a demora. Dura muitos ciclos de óvulos, larvas, pupas e adultos. Dizem que nada há a fazer para os deter. A prova, dizem, é que se for encontrado um predador da praga, ninguém assegura que o predador não seja mais devorador. E o medo detém qualquer gesto salvador.

Só se nos apercebermos a tempo é que impediremos que a Palmeira morra. 
Morra de pé, como as árvores. Ou como as nações.