18 setembro, 2016

Antes de apagar as velas e enquanto se preparava a mesa, esteve reunido o "conselho de família"


Na quintinha em Alvega, a sensação dada seria de desolação se não soubéssemos que o calor sentido não tem permitido antecipar as culturas de outono. Assim, os campos apresentavam o que é normal apresentar: tomateiros, pimenteiros e hastes de feijão verde jazem secos a par com o restolho das outras culturas de verão. Não tarda aí trabalho, com a chegada do tempo mais frio...

Dentro da casa, em ambiente um tudo ou nada mais fresco, havia quem preparasse a mesa, enquanto os miúdos iam entretendo a espera, alterando entre eles o protagonismo da brincadeira...

Lá fora, debaixo do telheiro, a conversa continuava. 
Quando a família se reúne acontece invariavelmente que, mesmo sem agenda antecipada, a discussão se faça em volta de qualquer tema sem que no fim alguém assuma a tarefa de rascunhar uma acta. Foi o que aconteceu. Ninguém se lembra como, nem quem, começou o que eu chamo "conselho de família", mas após algumas tentativas de inicio de conversa, logo ela "pegou" em torno dos jovens e dos tempos e problemas de hoje. 
Estava a pensar escrever sobre o que foi dito, quando hoje ao abrir o jornal encontrei lá (grande parte) num resumo escrito. Transcrevo de uma entrevista em que quase me senti eu a ser o entrevistado:
Tem netos?
Tenho. Três netas.

Adolescentes?
Têm 14, 15 e 18 anos.

Vem daí essa sua preocupação?
Confio nos pais delas. E elas parecem-me ser raparigas muito bem formadas, devo dizer. Creio que têm o aconselhamento correcto por parte dos pais. Se houver raparigas a conseguir sobreviver neste ambiente sexual, julgo que serão elas. São extremamente inteligentes e muito tranquilas.


À parte o sexo, como é que vê a geração das suas netas, em termos de preparação e de curiosidade intelectual?
Em termos geracionais, todos os jovens de hoje se deparam com o problema de encontrar um emprego que esteja de acordo com as suas capacidades. A informatização reduziu a quantidade de empregos disponíveis, a economia não está brilhante e há muita gente a sair da universidade com cursos e a ter de ir para os chamados McEmpregos, o que é verdadeiramente chocante. Na minha geração, se tivéssemos um bom curso, tínhamos a certeza de encontrar um bom emprego.

quem diga que esta é primeira geração cujas perspectivas de vida são piores do que as dos pais.
Sim. Continuando, frequentemente, a viver com os pais, mesmo depois de terem estado na universidade. Chamam-lhes os “filhos boomerang”, que vão e voltam. Isso cria problemas complicados. Ainda há dias estive a ler sobre esses casos em que jovens adultos não têm dinheiro para ter uma casa própria, uma vida própria, a começar por uma vida sexual sem embaraços.
Claro que no "conselho de família" falou-se de mais coisas, mas a toada foi essa...
Quanto ao Diogo e à Maria, ando a fazer com que isto mude qualquer dia.