Hoje enviou-me um poema, em letra de fado. Fado sentido ainda por ser cantado...
Agora só falta encontrar quem o cante... para encorajar um projecto de uma vida que valoriza a escrita e sabe fazer uso dela.
Aurora
Guardo a lembrança no peito de quando te vejo ir embora,
Noite triste e sombria, fria de amor marcada pelo odio,
Mas a mágoa sentida, faz da partida um caminho sem fim,
Vivo presente essa noite, vivo a dor de uma vida sem ti,
Ai se eu soubesse, que naquele dia tu ias embora…
Ai se eu soubesse, que a vida sem ti é vida deitada fora…
Ai se eu soubesse, que o amor á caneca se bebe quentinho…
Ai se eu soubesse, que a vida sem ti não faz mais sentido…
Tenho a lembrança presente das palavras deitadas ao vento,
Sinto o amargo na boca, sabor ausente,
Tenho em mim a ferida, marca sentida do dia e da hora,
Tenho os meus olhos amargos, a pele enrugada, tua ausência…
Aurora
Ai se eu soubesse que um dia partias pela estrada fora…
Ai se eu soubesse, que levarias contigo meu sol Aurora…
Ai se eu soubesse, que a magoa sentida seria um jardim sem
flor…
Ai se eu soubesse, que não mais na vida haveria outro amor…
Guardo e meu coração a triste ilusão de te ver chegar,
Fica presente em minha mente o nosso convívio ao jantar,
Juntos à mesa estaremos, o jantar partilhemos numa malga
vazia,
Mas de coração cheio alegre e perfeito deixamos para trás
uma vida vazia,
Mas a vida perdeu o encanto meu e ela não voltou,
Sigo alma sombria e nesta vida a mais nada me dou,
Sinto o amargo na língua, mulher perdida falta-me o pão,
Guardo um sabor sem jeito que fere meu peito sabor a limão,
Ai se eu soubesse, que teus olhos meus alegria sem fim…
Ai se eu soubesse, que a tua luz ilumina o meu jardim…
Ai se eu soubesse, que o tempo não para e a chama acende…
Este pobre olhar, sozinho sem ar a vida a ti se prende.
30 de
junho de 2020
Por Rosa Pereira