13 julho, 2010

Isto de ter uma Missão não é só andar por aí com os netos, a brincar aos monstros e fazer de saltitão. Há outras coisas a merecerem atenção...

Cavaco Silva, não liga ao que alguns economistas dizem por aí. Hoje disse ao DN: "Estudei muito a Zona Euro, tenho livros publicados sobre a Zona Euro, não acredito que Portugal alguma vez saia da Zona Euro, nem acredito que a Grécia venha a sair".

A imagem reporta a turma em que Cavaco e a esposa se integram, recebendo uma lição de geografia económica e analisando o mapa e o ranking da dívida nas maiores economias,

Os sorrisos estampados em todos os rostos denotam aquela confiança e optimismo que Sócrates costuma ostentar. Isso a mim incomoda-me... É que:

  1. Se um economista não nobelizado incomoda muita gente, um grupo desses economistas incomoda muito mais;
  2. Se um grupo de economistas não nobilizados incomodam muita gente, um nobelizado incomoda muito mais;
  3. Se um economista nobilizado incomoda muita gente, dois nobelizados incomodam muito mais.

1- Disse um grupo de economistas não nobelizados, da Universidade de Londres, coordenados por Costas Lapavitsas, num estudo "Crise da Eurozona: Empobrece-te a ti próprio e ao teu vizinho" (ler o sumário executivo de 3 páginas aqui):

"A terceira alternativa para os países periféricos é a saída radical da zona euro. Tal alternativa resultaria, de imediato, na desvalorização das moedas nacionais, seguida da cessação de pagamentos e reestruturação da dívida. A banca teria de ser nacionalizada e o controlo público estendido aos sectores estratégicos da economia. Uma política industrial, promotora do aumento da produtividade, seria necessária. Esta opção requer uma alteração radical na correlação do poder que seja favorável aos trabalhadores. De forma a evitar estratégias de autarcia nacional, os países da periferia precisariam manter o acesso ao comércio internacional, à tecnologia e ao investimento. "

2- Disse o actual prémio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz em entrevista à BBC-4 (em 04/05/2010)
"Quando tivermos visto até que ponto fica difícil para a Europa adoptar uma postura comum para ajudar um de seus pequenos países, nos daremos conta de que se um país um pouco maior tiver dificuldades, é provável que a Europa tenha ainda mais dificuldades para chegar a um acordo".
"A longo prazo, enquanto os problemas institucionais fundamentais continuarem, os especuladores saberão que eles existem", acrescentou. Indagado se isso significa o fim do euro, Stiglitz respondeu: "Pode ser que seja o fim do euro"...

3 - Disse Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, em entrevista à imprensa espanhola, citada pelo 'El País' (em 11/07/2010)
"Não ficaria surpreendido de ver um ou dois países serem forçados a sair do euro. Creio que há uma possibilidade plausível de que a Grécia se veja obrigada a sair [do euro] e esse contágio provocaria sérios problemas em todos países, especialmente em Portugal, e logo depois possivelmente Espanha e Irlanda ficariam enredadas", afirmou. Porém, o economista não prevê o colapso da Europa, afirmando que "ficaria surpreendido se a França, a Alemanha ou os países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) não se mantivessem agarrados à moeda única num futuro mais imediato"... Para o economista, "a Alemanha está realmente a desempenhar um papel destrutivo. Está a empurrar-se a si própria e ao resto da Europa para a via da auto-destruição". Isto porque, explica Krugman, "parte do problema da zona euro é que há muitas vias de contágio, pelo que a austeridade de um país leva à depressão nas restantes nações".

A TUDO ISTO , CAVACO DIRIA O QUE JÁ DISSE DE KRUGMAN, REVELAM "UMA CERTA FALTA DE CONHECIMENTO DO QUE É A ZONA EURO". Certamente que os economistas credenciados pela nossa imprensa de referência, vão na mesma onda. Vou ver...