16 junho, 2013

Carta aberta, dirigida aos meus vizinhos e aos meus amigos, explicando (algumas) razões porque aceitei ser candidato.

Tudo começou nesta foto (Comissão de Moradores da Medrosa, 1975). Depois continuou quando os filhos destes, e seus amigos, a editaram e comentaram (no facebook, em Janeiro de 2010). Ontem aceitei ser candidato, mas as razões são fáceis de entender. Os que se surpreendem também terão razão, mas os tempos que vão correndo.exigem que à generosidade do movimento voluntário de solidariedade social a que assistimos se junte a solidariedade cívica de que a comunidade também carece. 
Caros vizinhos, 
Dirijo-me a vós em primeiro lugar por serem a extensão da minha própria família: Foi entre vós que vivi e vi o tempo e a vida irem correndo; foi entre vós que as minhas filhas se foram educando, alargando laços e crescendo; foi no logradouro à frente das nossas janelas que, com a vossa ajuda, plantei uma árvore, entre terras nuas e ervas num bairro que, então, era considerado clandestino;  foi perto do nosso bairro que um livro escrito por mim, foi apresentado. 
Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro é o que basta, dizem, para um homem se sentir feliz e realizado, mas não é verdade. Uma família, um bairro, uma comunidade e os tempos que vamos vivendo, exigem de mim, mais que isso. E é por isso que aceitei figurar na lista de candidatos à autarquia que se espera poder continuar a estar perto de nós. Os bairros são seres vivos. O ciclo da vida de um bairro é mais longo que a vida de qualquer de nós, abrange muitas gerações e eu quero e desejo que o meu bairro seja feliz para todas as gerações que o venham habitar. Que o bairro seja mais que a memória do que foi.  
E a história do bairro começa naquela fotografia, com alguns dos rostos (e só alguns, dos muitos) que deram ao bairro aquilo que ele hoje consegue, apesar de tudo, ainda ser. E é a minha expressão  "apesar de tudo" que me move. É que o bairro corre o risco de se descaracterizar se não mantiver os traços da sua comunidade. Existe o risco que dele apenas fique, em alguns, a saudade daquilo que foi. Se for eleito bater-me-ei pelo meu bairro, podem crer! 
Caros amigos, 
Falei do meu bairro como primeira razão da minha decisão, mas existem mais. A freguesia também corre o risco de deixar de ser o que era. Oeiras e São Julião da Barra vai ter de se juntar a Paço de Arcos e Caxias. Talvez uns se limitem a entender que é mero arranjo administrativo, sem ver outros riscos nem perigos. Num concelho desigual (muito desigual) poucos se apercebem de como esta alteração pode ter implicações. Implicações na prestação de serviços de proximidade. Pode-se, por egoísmo, pensar que Oeiras será sempre uma ilha de bem-estar... mas será? Quem garante que determinados serviços só passarão a estar garantidos noutras localidades? E como garantir a qualidade desses serviços? E como melhorar a nossa forma de viver e de estar, nestes tempos de pressão a caminho de um empobrecimento já por muitos sentido e ao qual a própria Câmara não escapa? É também por isso, e para que ao movimento de solidariedade social e ao indispensável e generoso voluntariado se junte a solidariedade cívica, que eu aceitei ser candidato.
Caros vizinhos, amigos e conhecidos, esta carta já vai longa falarei de tudo isto e de outros aspectos na próxima quarta-feira às 18,30h, na sessão da CDU, no Auditório Municipal do alto da Barra.  
Se quiserem aparecer...


Rogério Pereira