22 junho, 2013

Poesia (uma por dia) - 44


É certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscoso gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Sophia de Mello Breyner Andresen
NOTA: Ocorreu-me este poema depois de ler Miguel Sousa Tavares e do que falou dos professores e de outros semelhantes horrores

12 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Difícil comentar este poema.
Estas politicas perverteram-se ...
Parece que cada um procura fazer ainda pior construindo a diferença pela negativa

...e o povo ...que se lixe...
...que se lixe...

as-nunes disse...

Que grande poema!
Que grande poeta!
Que grande mulher!

A direita não defende o Povo,
como o pode defender
se o que eles almejam
é o acumular de riqueza
dos indivíduos do seu clã

E o Povo é a maioria

como é que as elites
do arco do poder
uma classe à parte
mantêm os seus privilégios
senão sugando o Povo?!

O Zé Povinho sempre na berlinda!

jrd disse...

Sophia foi -é- enorme! Merecia ter tido um filho diferente.

Gisa disse...

Confuso.
Calo e escuto.
Um bj querido amigo

. intemporal . disse...

.

.

. percebe.se e sente.se agora . a diferença . finalmente . :) .

. que temos aqui . e enfim . a Poesia .

.

. grato . sophia .

.

.

quem és, que fazes aqui? disse...


Concordo com o que escreveu jrd.

Sophia sempre, em qualquer circunstância!

Obrigada pelas quadras. Um bom S. João!

Beijinho

Laura

Lídia Borges disse...


Não me canso de perguntar como é possível... Esse senhor é uma aberração. Não faz ideia do que diz, mas fala, instalado no alto da sua ignorância.

Não é à toa que ela, Sophia, se sentia peixe num mar de crustáceos.

Um beijo

O Puma disse...

Sophia sempre actual

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Muito bem escolhido o poema...como não podia deixar de ser!

Branca disse...

Neste caso não se aplica nada a expressão: "Filho de peixe sabe nadar". Bem pelo contrário a sensibilidade de Sophia foi sempre tão especial e tão diferente da que o filho absorveu...!
Depois este Miguel Sousa Tavares tem qualquer trauma ou mania de perseguição em relação aos professores, há poucos anos atràs já havia dito umas barbaridades relativamente à mesma classe de profissionais, é talvez uma obcessão compulsiva.

Beijos
Branca

Graça Sampaio disse...

Belíssimo, o poema! Quanto ao filho, (por vezes) uma besta!

Anónimo disse...

Neste caso não se aplica nada a expressão: "Filho de peixe sabe nadar". Bem pelo contrário a sensibilidade de Sophia foi sempre tão especial e tão diferente da que o filho absorveu...!
Depois este Miguel Sousa Tavares tem qualquer trauma ou mania de perseguição em relação aos professores, há poucos anos atràs já havia dito umas barbaridades relativamente à mesma classe de profissionais, é talvez uma obcessão compulsiva.

Beijos
Branca