03 janeiro, 2015

As perguntas que o Expresso não fez... são apenas três

O Expresso não dá ponta sem nó e por isso só coloca perguntas cuja (im)probabilidade serve para situar incertezas que não acordem consciências sobre os riscos de ruptura do paradigma que enquadra as preocupações do burguês. É preciso que este se assuste, mas o mínimo, para não lhe quebrar o ânimo. As respostas ocorrerão durante o ano. Mas eu tenho três perguntas que o Expresso não fez...

  1. O que é que se vai passar com as moedas que andam para ai a circular? A noticia, diz-se, é devastadora. E pode bem ser, sim senhora. É que se se confirma que a China lança comércio bilateral com a Rússia em Yuan e Rublo o paradigma existente vai ao rubro. Na Europa, a coroa norueguesa (também) parece estar em colapso total. Por outro lado, as dificuldades dos países que sofrem com a redução do preço do petróleo podem encontrar respostas na estratégia já delineada pelos  BRICs. O que está em causa é uma profunda alteração na actual ordem Mundial. 
  2. Neste novo contexto, para que serve o Grupo de Bilderberg? O Expresso não (se) interroga sobre isso. Balsemão não desculparia ver tal pergunta impressa na sua própria imprensa. O mais certo é que se as respostas à minha primeira pergunta forem em determinado sentido o Grupo será... implodido, sem disponibilidade para assistir a António Costa e a Rui Rio. A seu tempo a Dona Esmeralda e a sua vizinha do 4º andar terão assunto para conversar.
  3. O quórum que elegeu Francisco sabia ou não das suas origens proletárias? Claro que o Expresso colocou perguntas sobre o papa, mas esteve-se nas tintas para indagar sobre coisas que nem os cardeais indagaram. Li, naquele jornal em que se sabe tudo o que todos os outros escondem, que a questão é relevante. Cito o artigo:
 «(...) a voz de Francisco Bergoglio, cardeal argentino, filho de um ferroviário de nacionalidade italiana, que, na sequência de uma espécie de leviandade que hoje decerto muitos lamentam, foi já vai para dois anos eleito por um punhadão de cardeais para chefiar a Igreja Católica. Talvez a generalidade desses eleitores até desconhecesse qual a profissão do pai de Francisco e essa ignorância tenha ajudado à escolha feita, pois consta um pouco que isso de ferroviários não é gente de muito fiar. O certo é que a eleição aconteceu e que, de então para cá, a inquietação e o claro desagrado têm vindo a atingir muita gente excelente, e sobretudo devota, que estava posta em sossego, dos seus anos colhendo o doce fruito, como Luís Vaz disse de Inês. Entende-se: aquilo no Vaticano estivera a andar muito bem, João Paulo II havia sido um talvez decisivo cruzado no combate aos infiéis do Leste; o seu valido Marcinkus, arcebispo de Chicago, tinha sido um eficaz presidente do Banco do Vaticano; em devido tempo o «céu» se encarregara de no breve período de um mês afastar do caminho João Paulo I, que na altura não viria muito a propósito. Ia, pois, tudo bem, quando de súbito, zás!, surge Francisco e desata a multiplicar inconveniências. Não apenas a falar de pobres e desamparados, o que já não é de muito bom gosto, mas também a responsabilizar as estruturas financeiras dominantes pelos desconcertos do mundo, a formular apelos em favor da dignificação e respeito pelo factor Trabalho, a condenar as várias opressões sociais. Logo se desencadearam vozes a acusá-lo de ser comunista, pecado enorme e irremível, pois é sabido que os comunistas é que se preocupam com tais coisas afinal naturais, sempre houve ricos e pobres. E agora, em plena quadra de Natal, chega a sua denúncia pública, clara e veemente, de torpezas e vícios cardinalíssimos, um pouco a lembrar Jesus no Templo. Bem vimos na TV como prováveis visados aplaudiram o Papa com as pontas dos dedos, e apenas por dever de ofício. Bem sabemos que a esperança é que ao perfazer 80 anos, em 2016, Francisco passe à reforma, e que o tempo passe depressa. E bem sabemos também que a prudência recomenda ao Papa alguns cuidados. Pois a História ensina que nem sempre a cidade do Vaticano é um lugar saudável. E o «céu» não dorme.»