31 janeiro, 2015

As (muito) mais de 100 maneiras de cozinhar bacalhau


Em tempos de masterchefs ocorre-me falar da ementa imposta pela imprensa. Falemos então da comida que nos foi servida. À falta de imaginação, com mais ou menos condimentos, foi-nos servido mais do mesmo:
  •  Ronaldo, foi servido em cem variantes. O casamento desfeito, a nova namorada, o sopapo a preceito, a expulsão com cartão vermelho, as desculpas de respeito e as variantes que se seguiram. 64 pratos, e mesmo o mais requentado terá sido muito repetido e apreciado;
  • Costa, aquele que a imprensa apresenta como sendo, ainda antes de o ser. Cem variantes também, e delas sobressaem as tipo pescada (que antes de ser já o era). Embora tenha 52 pratos, atente-se nos tempos de confecção significando que há a preocupação de, no serviço, este seja requintado. A imprensa não brinca no que se refere a impor um sabor;
  • Sócrates, quando se julgava comida intragável a ribalta insiste em apresentar o mesmo prato com mais de cem maneiras diferentes de ser temperado, o que não é de estranhar. Os molhos e temperos sempre serviram para enganar o paladar quando se duvida da frescura. À porta de um restaurante (que se vai tornando famoso), há uma fila imensa sem que se perceba se é para comer ou se para agradecer a comida por ele servida;
  • Paulo, é um bacalhau muito apreciado e que tomou o lugar do outro Paulo. Representa a alternativa a quem está de dieta. Reza sobre ele suspeita vegetariana. Donde, é capaz mesmo de nos arruinar a saúde;
  • Coelho, não se come enquanto tal. Seria intragável, não fosse a persistência com que aparece no menú da imprensa. 41 receitas impostas, umas de "punheta" outras às postas e bastante azeitado. Há quem admita restaurar o paladar associando-o à pescada. Com o que esta imprensa nos dá a comer, tudo pode acontecer...
E se na mesa do canto alguém insiste em se levantar e protestar, a TV cita Bruxelas na voz da big-masterchef entendida, com a maior desfaçatez desta vida: "Para quem é, bacalhau basta!"