04 abril, 2016

Angola, agora


Entre a liderança de Agostinho Neto e a de José Eduardo dos Santos, o MPLA mudou muito. Mas os saudosos do passado querem que Angola mude ainda mais.

Ocorre-me um poema de 2012, recordando 1970, e era assim:
151 – A resposta dada por Minha Alma ao guerreiro negro:

Foram tantos os quinhentos anos de posse
Deu para tanto,
escravatura, fome, ignorância, pranto
Fechámos vossas almas, cercámos vossas virtudes
Libertámos vossos vícios e somamos-lhes os nossos
Impusemos nossas atitudes
Ao nosso modo de viver impedimos vosso acesso, gozo e uso
Fizemos, de cada um de vós,
na vossa própria terra, um intruso
Ensinamos a vingança e a desconfiança
Impusemos nossas crenças. Dividimos para reinar
ensinámos-vos a imitar a nossa forma de ser e de mandar
Não se volta ao que se era
depois de interrompida, sem glória
a marcha da história
Sabes?
Se semeámos futuros de ódio, de tribalismo e de guerra
haverá colheita de horrores e de mais miséria
A independência é apenas o regresso
é tão só e apenas o assegurar de um recomeço
Faz o que tens de fazer
Teu povo o irá agradecer
Mas será ainda longa a sua luta.
Rogério Pereira
in "Almas Que Não Foram Fardadas" (pág. 184)


5 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Angola agora já não é notícia. Os jornais trocaram a fuba pela Moussaka. Pelo menos, foi essa a informação que chegou lá ao Rochedo...

Anónimo disse...

Longas, longas são as lutas pelas justas causas...

Abraço grande!

Maria João

Rogerio G. V. Pereira disse...

Hoje (ontem) foi a primeira página do "Público"
e vai continuar

Rogerio G. V. Pereira disse...

Custa mais a um povo
libertar-se
da cultura de colonizado
do que o colonizador
esquecer que o foi

Anónimo disse...

Acredito, Rogério, embora sejam ambas difíceis, essas libertações...

Maria João