16 abril, 2018

Aristóteles, as redes sociais e outras coisas mais...

 
«O homem é um ser eminentemente social porque ele tem absoluta necessidade de agrupar-se, reunir-se a seus semelhantes não só para atender aos fins que busca e deseja, mas também para satisfazer suas necessidades materiais e de cultura.» 

No tempo de Aristóteles, ele tinha razão. Hoje, tem menos. O homem tende a ser um ser eminentemente facebookiano e não será pessimismo esperar que a próxima geração odeie uma boa conversa em família, pragueje contra um sindicalista, não tenha um único livro em casa e, de música, só atente àquela que acontece sem recurso a qualquer instrumento ou artista para a produzir.

Afirmava ainda Aristóteles que o homem, para viver isolado, só se for um bruto ou um Deus. Naquele tempo, mal sabia o filósofo que nos estamos transformando numa humanidade bruta de onde se exclui uma minoria de deuses (não eleitos) que a governa.

A imagem acima é uma montagem minha. Frequentemente, além de interregnos para coisas belas e outros para coisas muito más, também faço os meu interregnos para coisas parvas... porque, não sendo um Deus, esforço-me para passar por parvo, na esperança de não me tornar num muito e venerado bruto.

12 comentários:

Anónimo disse...

"Porquanto, nossa luta não é contra a carne e o sangue, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nos lugares celestiais." Efésios 6:12

"a carne e o sangue" são os seres humanos.
Potestades- pessoas com poder e autoridade sobre outras pessoas (líderes políticos e governantes espirituais)
Principados - um tipo de reino ou território governado por um príncipe ou autoridade dos príncipes.

Facebook, apenas mais uma ferramenta dos Principados, onde de livre vontade entregam todo o tipo de informação aos Potestades.

Ainda mais preocupados devíamos estar com as notas criadas pelo Principado, notas que passaram a ser "papelinhos pintados" porque quando havia o padrão ouro era uma nota de crédito e valia o equivalente em ouro mas, neste novo Principado, ao fomentar a Dívida e sem relação com qualquer tipo de valor real, apenas na Fé de que vale alguma coisa, passou a nota de Débito e, assim, passámos a trocar trabalho e suor por notas de débito.

Como eles devem gozar com a ignorância do povo porque a nota de débito, em finança, o sacado é devedor do sacador.
A maioria nem sequer percebe que não é só o problema de trocar trabalho por notas de débito que deposita no Banco, outra ferramenta do Principado (razão do Banco Europeu ser de accionistas Privados), e a mudança com bail-ins e bail-outs porque as notas de débito são deles e, o "dinheiro" depositado não ser nosso mas, apenas considerado como "um empréstimo ao Banco", dessas mesmas notas de débito, onde o depositante também é o sacado e devedor do sacador.
Tal como um imóvel serve como colateral do empréstimo, passámos a ser nós e o que possuímos, no Presente e no Futuro, o Colateral da Dívida ao Principado... precisarem de Cadastro de Terrenos não é mero acaso (emprestam aos Países na mesma proporção do que tiverem como valor colateral). Este Principado funciona como uma Corporação onde a prioridade não está nos seres humanos mas nos lucros.

Uns, pensarão que como não têm "nada" não perdem nada e, aqui, seria uma lista infindável sobre futura escravatura mas, bastará dizer que os fundos de Reforma também passarão a ser todos deles e, grande parte já passou a ser "jogada no casino" de Wall Street.

Com a Dívida Global que este Principado criou, praticamente, é tudo deles e, tal como um imóvel, eles possuem garantias em caso de incumprimento dos devedores (países). Existindo incumprimento, podem vender tudo e recuperar o "dinheiro" emprestado, em bens reais e concretos, incluindo os escravos e, futuramente, podem decidir pôr nos colaterais o tal chip da Neuralink no cérebro ou um chip em vez de cartão multibanco.

"O meu povo se perde por falta de conhecimento" - Oséias 4

"Por um pouco de tempo ainda, a Luz está no meio de vós. Caminhai enquanto tendes a Luz, de modo que as trevas não vos apanhem, pois quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, para vos tornardes filhos da Luz"

Filhos da Luz - humanos porque com chips e o tal "transhumanismo" que andam a preparar, tipo control remoto à distância, ficaremos transformados em quê?

-Naquilo que este sistema mundial em trevas, decidir.

Quem ainda não percebeu que, para além de política, economia e finança, estamos a viver um momento crucial para o Futuro da espécie humana e, ainda goze com quem disser que estamos a viver uma guerra espiritual entre a Luz e as Trevas, devia tentar fazer um intervalo no Facebook e usar os neurônios que lhe restem, depois de tanta "engenharia" a que foram sujeitos.

Antes de qualquer solução, num elevado grau de dependência, seja no que for, primeiro, a maioria tem de reconhecer o problema e, muitos, nem sequer sabem que têm um problema.
Mafalda

Maria João Brito de Sousa disse...

Entre um deus e um bruto, venha o diabo - em que não acredito.. - e escolha. Bom, mas eu estou velha. A tendência que delineias recairá sobre as gerações mais jovens. Escaparei, enquanto poeta, à aristoteliana fatalidade dos deuses e dos brutos, sem ter de me esforçar por passar por parva.

Abraço-te, Rogério.

Larissa Santos disse...

Gostei de ler o seu texto. Coisas de redes sociais.
:))

Hoje:- {Poetizando e Encantando} Se chegares, amar-me-ás eternamente.

Bjos
Votos de uma Óptima Terça-Feira.

Anónimo disse...

Maria João

O Diabo é uma metáfora/símbolo mas, deve saber que nasceu com uma Consciência, com a capacidade de distinguir o Bem do Mal, o Certo do Errado e, com seu Livre Arbítrio poder escolher o seu próprio "caminho".

Poucos sabem haver "think tanks" que, com décadas de antecedência, estudam a melhor maneira de inverter Valores e Consciências e, sem as pessoas darem conta, desde filmes a "insignificantes" anúncios, há centenas de processos para entrar, sub-repticiamente, no inconsciente e mudar esses valores e escolhas.
O tema é tão vasto que a única coisa que lhe posso garantir é eles saberem MUITO de psicologia humana e, ficamos tão fáceis de manipular que, depois de se saber como, parece brincadeira de crianças.

Neste Planeta existe muitos que praticam o Bem e o moralmente correcto mas, quando se fala do Diabo, pode crer que ele está a ganhar, com um Mal tão Absoluto que fica difícil de acreditar para o comum dos mortais.

Se não acredita no Diabo, quem nos está a encaminhar para o "Inferno", a tal "elite", serve-o religiosamente, com rituais inimagináveis.
Uma energia negativa que supera a positiva e é responsável pela construção de um Sistema de Violência, Roubo e Coerção, só possível construir sobre a Ignorância e só pode ser derrotado se as pessoas tiverem acesso ao Conhecimento e passarem a usar a Consciência Moral para guiar as suas próprias acções. Fazer uma espécie de greve a tudo o que a Consciência Moral não aprovar... muitos até mudariam de emprego mas, há muito tempo, o Deus dinheiro passou a controlar todos os pensamentos, preocupações, aspirações... até consegue destruir famílias.
Neste Mundo onde, propositadamente, o dinheiro entrou em todos os aspectos das nossas vidas, o maior desafio é sobreviver sem nunca desligar a nossa Consciência Moral e, todos os dias, estão a tentar que a desliguemos e, até pensarmos ser normal, causar sofrimento a outros para manter as nossas regalias e, um dia, vamos descobrir que o Diabo já tomou conta disto tudo, até do nosso Livre Arbítrio.
Há muito conhecimento que nos foi escondido, até espiritual, precisamente, para nos poderem controlar.

Nem o Universo foi criado por mero acaso porque podemos observar inteligência na Natureza mas, aqui, serviu bem quem quis implantar este Sistema, retirar, a uns, a energia criadora da equação (Deus), outros, a obedecer cegamente a essa energia criadora (Deus/Allah/Yahweh...) assim, como há quem controle tudo, eles ficam "atados" pensando não poder fazer nada para mudar as circunstâncias.
No meio, está a Verdade com as Leis que regulam esta criação e que nenhum homem pode mudar mas, onde temos livre arbítrio para poder criar um outro tipo de Mundo, o tal espírito divino/luz que nos foi dado por essa energia criadora que não é mais do que usar a nossa Consciência Moral, como guia, nas nossas acções diárias.

As pessoas ficam presas nas palavras, sem procurar o que está por detrás delas porque, foram programadas, precisamente, para isso.
Este assunto seriam horas de explicação pois há o Oculto (Conhecimento escondido) e o chamado Dark Occult que usa esse Conhecimento para escravizar a Humanidade, uma espécie de maléficos psicólogos psicopatas.

Quanto a pensar que pode "escapar" e, tentando resumir o impossível de resumir, digamos que o Mundo não passa de energia eléctrica magnética que segura o nada, a água e pouco mais e se essa energia não pode ser destruída, apenas mudar de forma, a alma passa a parecer menos irrelevante ;)

"No Princípio era o Verbo" que eu entendo como palavra, palavra tem som, energia com frequência e vibração criam a matéria e eu estou mais interessada na energia não na matéria porque a matéria morre quando se separa da energia que é eterna.

Imagina o problema da pequena elite que nos escraviza, se descobríssemos que, todos juntos, podemos mudar o Mundo e, nem precisamos de Leis, depende, apenas, das escolhas Conscientes de cada um de nós.
Mafalda

Maria João Brito de Sousa disse...

Mafalda,

não sou assim tão maniqueísta e não acredito mesmo no diabo e, no que a isso respeita, mesmo que tenha estudado muito mais do que eu, sabe tanto quanto eu sei. Tanto quanto eu e tanto quanto qualquer outra pessoa.
Usei o verbo escapar, mas... muito sinceramente, não me preocupo com a minha eventual "escapadela" nem a milésima parte do que me preocupo com os que me sucederão enquanto seres humanos vivos e actuantes.

Como sabe, os conceitos que enunciam as palavras variam ligeiramente de pessoa para pessoa e a alma é um bom exemplo da impossibilidade de se fazer com que os conceitos coincidam matematicamente.

A matéria morre? A matéria não morre, é profundamente criativa e transforma-se contínua e constantemente. Tanto quanto sabemos, a matéria é a coisa menos mortal e mais plástica que existe.

Posso imaginar uma infinidade de coisas, mas antes tenho de debruçar-me sobre a realidade e, nessa realidade, dificilmente encontro uma mão cheia de pessoas capazes de, entre si, chegarem a consenso sobre a melhor forma de mudar o mundo. Para melhor, pelo menos.

Deixo aqui um forte abraço a todos os que conseguem agrupar-se e mudar uma pequena faceta do mundo, segundo aquilo que crêem piamente ser o melhor para a esmagadora maioria, mas sei bem que, algures, outros grupos se reunirão e atuarão sob uma visão totalmente oposta do que seja o melhor para esse mesmo mundo, para essa mesma maioria.
Voltarei.

Anónimo disse...

Não consigo ler textos como o assinado pela "Anónima" Mafalda sem pensar que este discurso se repete há anos e anos e que recentemente é pergunta constante da área da psiquiatria que considera esta patologia da "teoria da conspiração" como um dos sintomas mais evidentes da esquizofrenia e como tal a trata com as devidas "gotas". Marque consulta urgente. (embora julgue que dificilmente os verdadeiros loucos, os sociopatas, se julguem pessoas "normais"). Lucas

Rogerio G. V. Pereira disse...

Este meu espaço, largo
Deve continuar aberto?

Dever deve,
não sei é se consegue
evitar
que os anónimos
se venham a engalfinhar

Portem-se bem!

Anónimo disse...

Lucas

Se não gosta, não é obrigado a ler e, quem se "pica" e não sabe demonstrar com argumentos os pontos onde discorda, no seu caso, nem deve ser por ignorância mas, receio que o Mundo mude e você perca algum "tacho".

Usa palavras que nem sabe a origem mas, posso-lhe dar um bom artigo para ler de Paul Craig Roberts (Institute for political Economy) e pode aproveitar para também o mandar... ao psiquiatra :)

https://www.paulcraigroberts.org/2016/08/24/the-term-conspiracy-theory-was-invented-by-the-cia-in-order-to-prevent-disbelief-of-official-government-stories/

Quanto à sua má educação, não me aquece nem me arrefece porque não fui eu que o eduquei, nem em casa nem na escola, apenas devia aprender um princípio muito antigo que garante a Liberdade e que, afinal, nem foi dita pelo próprio mas, por uma biógrafa de Voltaire:

"Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo"

Pena que a biógrafa tenha morrido para, também, a poder mandar... ao psiquiatra lol
Em vez de perder tempo com comentários da treta, pode ir contar likes ou mandar umas selfies pois, com casos perdidos, não há nada a fazer. Pela minha parte, depois de ler o seu comentário, vou... sacudir a poeira ;)

"Porém, se alguém não vos receber, nem der ouvidos às vossas palavras, assim que sairdes daquela casa ou cidade, sacudi a poeira dos vossos pés"
Mateus 10:14

Mafalda

Anónimo disse...

Maria João

Passei aqui para lhe dar um link de um pequeno filme de 9 minutos, onde na 2ª parte talvez compreenda quando eu falo que somos energia.
Até foi bom, senão não tinha visto o "delicioso" e "amável" comentário do Lucas ;)

https://www.youtube.com/watch?v=0fKBhvDjuy0

Powers of Ten™ (1977)

Mafalda

Maria João Brito de Sousa disse...

Mafalda,

muito grata pela atenção do pequeno vídeo para o qual me encaminhou. R.Dawkins utilizou, há umas boas décadas, um método muito semelhante, mas aplicado ao tempo, não ao espaço, para auxiliar as pessoas a entenderem a evolução das espécies.

Não sinto que nele se possa basear para me demonstrar que somos feitos de energia. Este vídeo não me teria espantado nem um bocadinho, ainda que mo tivesse mostrado quando eu tinha dez anos de idade, pois sempre me recordo de ter aprendido a analisar tudo desde o infinitamente grande ao infinitamente pequeno e sob todos os possíveis - e mesmo os menos prováveis... - prismas e pontos de vista. No espaço e no tempo. A matéria é isso mesmo. Energia que vibra.

A Mafalda, eu, todos nós e até as paredes das nossas casas, somos matéria/energia que vibra numa muito determinada coreografia, numa coreografia muitíssimo específica que lhe/nos/ é indispensável à vida biológica. Ou à consistência estrutural, no caso das paredes.

Só correrá o risco de dar um passo e ser tragada pelo chão da sua casa, se a estrutura colapsar, nunca – na minha modesta opinião... - por acção dos malabarismos esotéricos de algum poder oculto, nem por acção da sua própria vontade, a não ser que pegue numa picareta e se decida a abrir um buraco na estrutura.

A “coreografia” da matéria vibrante da picareta, sob a acção do seu concreto movimento de braços – também eles matéria vibrante – pode mesmo abrir um buraco no chão de qualquer casa.
Penso ter entendido que me esteve a tentar ensinar que a matéria sensível à nossa condição biológica é muito menos abundante do que os imensos intervalos existentes entre uma e outra matéria que já assumiu a sua própria coreografia, ainda que temporariamente. Já o sabia, mas fico-lhe grata.

Haverá muita gente que certamente o não sabe.

Obrigada.

Anónimo disse...

Maria João

Infelizmente não precisam de picareta, basta frequências electro magnéticas que não se vêem, nem se ouvem, para destruir a energia das nossas células. Se o Wi-Fi não é bom (uma experiência no secundário provou que as plantas por perto se deram mal e, também avisam nas letras pequeninas que não se deve estar mais do que uns minutos semanais ao smartphone porque foram obrigados para se "safarem" de acções em tribunal) agora, com os contadores de electricidade smart's e o 5G é como viver, diariamente, dentro de um microondas, e vai ser pior que qualquer picareta.
(Depois dizem na TV que andamos a ficar doentes por comer demasiado sal ou açúcar, como de costume, desviar as atenções dos Verdadeiros problemas)
Quem sabe das consequências e, a nível global está a tentar esconder o problema faz parte desse mal Absoluto porque o fazem propositadamente.
Médicos e outras organizações já fizeram abaixo-assinados com provas para tentar fazer parar o genocídio mas, no caso da U.E., os "estudos vão ser divulgados daqui a uns anos"(mera "coincidência", ser depois da data de concretizar todo o Projecto e depois de matarem os que lhes apetecerem).

Por três vezes tentei que não pusessem o novo contador smart na minha casa, com respectivos argumentos e, sempre muito simpáticos ao telefone de que iam mandar uma carta para responder aos meus argumentos.
Sabe o que fizeram?

Como já tinham vindo tentar e viram que o contador estava na escada, mandaram um funcionário Fora das Horas de Serviço, teve que esperar que alguém saísse do prédio, para poder entrar sem tocar à minha campainha e, como me levanto cedo e ouvi barulho do lado de fora, era eu a dizer que ainda não tinham respondido à minha carta e, ele, sem parar e a acelerar o serviço como eu nunca tinha visto fazer algo tão depressa.

Resumindo, perguntei-lhe se ele sabia que estava a ajudar a matar pessoas e que devia pesquisar sobre aquilo que andava a fazer e, se escrevo muito a explicar coisas, a falar dei-lhe a lista completa e, a Resposta foi Igualzinha aos que bombardeiam e matam, incluindo crianças:
- "Estou apenas a fazer o meu trabalho e tenho que cumprir as ordens"

Por isso eu digo, se cá em baixo, houvesse Conhecimento e, cada um, tendo como guia a sua Consciência Moral, se recusasse a fazer o trabalho daqueles que, nem sujam as mãos e, assim, nem estragam o próprio Karma, lhe garanto que o Mundo mudava para melhor.

Cada um de nós ser um antivírus é a única solução porque, se alguém estiver à espera de Salvadores ou do Político certo, já perdemos esta Guerra, mesmo antes de alguns saberem que ela existe.

Não querem que o desemprego aumente? Enquanto houver Pessoas, para quê usar o "automático"?
Degrau a Degrau, devagar, devagarinho, estão a treinar as "ovelhas" e elas deixam e até gostam... até ao dia que lhes acontecer a elas, serem substituídas por máquinas todas ligadinhas à I.A. Nós próprios é que colaboramos diariamente para a nossa Obsolescência e escravatura... um mundo todo cheinho de seguidores de ordens, paus-mandados e... Lucas's ;)

Provérbios 25:11
"O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento"

Mafalda

Maria João Brito de Sousa disse...

Mafalda,

responde-me longamente e eu, com cataratas, tenho dificuldade em escrever directamente aqui, neste espaço de letras miúdinhas. Recorro ao Office – um seu sucedâneo gratuito... - e tentarei ser o mais objectiva possível, mas vendo o que estou a escrever.

Sim, bastam as frequências electro-magnéticas para destruírem a harmonia periclitante das nossas células, mas também bastam algumas dessas mesmas frequências para minorar um sem fim de mazelas de que sempre sofremos, nós e as outras espécies animais, embora as maleitas se estejam agora a tornar mais notórias porque somos muitos e envelhecemos demasiado. Mas se é verdade que tenho o direito de me considerar dispensável por ter atingido os sessenta e cinco anos e ter patologias congénitas e geneticamente transmissíveis, não menos verdadeiro será afirmar que me não sinto no direito de considerar descartáveis todos os que estejam a sobreviver em idênticas condições.

Foi o nosso lado mais humano, o melhor de nós, que nos ajudou a prolongar a esperança média de vida. E a vida ama a vida. Agarra-a até ao último sopro. Acredite que sei muito bem o que digo.

Mas vamos àquilo que agora a maioria de nós está a escolher; a evolução por via tecnológica, para o bem e para o mal.
Considera-a reversível? Olhe que eu sou uma pessoa razoavelmente optimista, mas não vejo como possa ser reversível, nem que me tente enganar a mim mesma.

Não tenho nem tenciono vir a ter, ainda que para tal tivesse provimento em notas moedas ou “bitcoins”, um smartphone, nem nada que se lhe pareça. Uso uma coisa proto-tecnológica que, espero bem, durará enquanto eu durar. Não posso estar, nestas condições, sem um meio de pedir socorro, ou contactar um amigo que me dê boleia para o centro de saúde.

Não tive outro remédio senão arcar com uma dessas caranguejolas que também tem, o tal smart-contador de energia eléctrica, porque me pareceu completamente inútil – e ridículo... - por-me a dar bengaladas na cabeça do pobre senhor que o veio instalar.

Ao computador, uso -o para criar poesia. Poesia de qualidade. Poesia útil.

Sem vaidade nenhuma, não porque me tenham programado para não ser vaidosa, mas porque não o sou por natureza. Posso é, por vezes, sentir-me um bocadinho orgulhosa do quanto me esforço para ensinar um pouco do pouco que sei, mas isso é saudável. Isso é aquele pedacinho de auto-estima que todos devemos ter para nos harmonizarmos com a nossa humana condição.

Em suma, não penso que a humanidade seja tão suicida
quanto muitos querem fazê-la parecer e se me não recuso à preocupação – bem evidente na minha poesia – recuso-me terminantemente a passar o resto dos meus dias sob a pesada canga de um iminente apocalipse.

O povo, o meu povo, continuará depois de mim.