06 agosto, 2014

«O empreendedorismo refere-se a uma capacidade individual para colocar as ideias em prática. Requer criatividade, inovação e o assumir de riscos, bem como a capacidade para planear e gerir projectos com vista a atingir determinados objectivos.»

Comissão Europeia – Educação e Cultura, 2005 

A criança que se desenvolva em ambiente normal manifesta, cedo, criatividade. Gosta de jogos de faz de conta, troca nada por coisa nenhuma, e até acha graça. Se apanhar qualquer um a andar de bicicleta, mande-o parar, fingindo ser policia, peça a documentação, a carta de condução. Primeiro, reage com espanto, depois é muito provável que finja procurar no bolsito o que lhe tenha pedido, e depois lhe estenda nada, que você terá que receber. Finja o que faz qualquer policia. Depois passe-lhe uma multa, sem lhe passar coisa nenhuma. Ele a receberá esse nada, com um sorriso. Gosta disso. Se esta brincadeira não resultar, experimente outra, ele reconhece o estilo e pega logo. 
Faço isso com o meu neto... que é esperto. E por vezes é ele que toma a iniciativa e a lidera. Os jogos colectivos são um castigo, quer impor regras estranhas e ganhar sempre. Ele faz para a semana cinco anitos e contamos com a escola para desenvolver a socialização, o ser cooperativo, o respeito pelo outro e aprender a ser menos maroto...

Por isso ao ler o lido fico lívido. A escola prepara-se, com a orientação de Bruxelas, para lhe desenvolver o eu, eu, eu...

in"Guião de Educação para o Empreendedorismo"
Palavra que não quero que regresse ao comportamento implícito nisso. Nisso e neste pensamento:
« Todos os seres humanos são empreendedores. Quando estávamos nas cavernas, éramos trabalhadores por conta própria…a encontrar comida, a alimentarmo-nos. Foi aí que começou a história humana. Com o advento da civilização suprimimo-lo porque nos rotularam: “és um trabalhador”. Esquecemo-nos de que somos empreendedores.»
Muhammad Yunus, Prémio Nobel da Paz
As cavernas, as modernas como as antigas, são frias. São frias, inóspitas e incómodas, nada comparáveis aos condomínios fechados de quem não tem a pobreza no seu ADN mas que educa os filhos para gerirem bem todos os tipos de empreendedorismos. É que a selva precisa de regras...

6 comentários:

O Puma disse...

Na selva reina o mais forte

a canalha prepara felinos
para se comerem
a fingir de pessoas

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Já o escrevi há muito tempo: vivemos a Era do Eu, Ldª.
Não quero com isso dizer que o empreendedorismo seja coisa má. Bem pelo contrário.
Como aprendi em pesquisas, entrevistas e reportagens que fui fazendo nos últimos 8/10 anos sobre o tema, não é nada que se aprenda, apenas se cultiva. É nisso que a escola pode dar uma ajuda. De resto, não é empreendedor quem quer, mas quem tem qualidades específicas para desenvolver o empreendedorismo.
Conheço bons e maus exemplos. De bom destaco, por exemplo, a Science 4 you. De mau, o ídolo do Relvas- o jovem do bate o punho. lembra-se?

Maria Eu disse...

Como se pudessemos sobreviver a um mundo feito de "empreendedores"!!!!

Agostinho disse...

A UE quer normalizar as pessoas tal como pretendeu com as maçãs, as colheres, o ar, a água, autoclismos, etc, etc. Nada lhes escapa.
E quanto custa este zelo? Alguém sabe?

Clotilde Moreira disse...

a formatação do ensino? Ler de Manuel Cidalino Madaleno - Eduacação ou armadilha pedagógica

jrd disse...

Eles sabem que a sublimação do Eu, é a melhor maneira de impedir o Nós.