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24 outubro, 2024

...E QUANTOS MAIS CONTENTORES E AUTOCARROS VÃO ARDER? E AO MARTINHO, QUE LHE TERÁ ACONTECIDO?


Há quatro meses atrás publicava eu isto, assim:
"Este é o Martinho, cabo-verdiano de cerca de 50 anos que há muito anda, na vida, perdido.

A imagem é clara. Eu aponto-lhe o caminho. Ele confirma. Vamos ver se o segue ou se desiste. Não me limito a dar-lhe rumo, pois tenho vindo a dar-lhe apoio, nada tendo feito sem sua aceitação. Está nas suas mãos o que fazer da sua vida. Já o acompanhei em duas consultas no Centro de Saúde de Oeiras, pois sofre de dependência alcoólica.   A própria médica, pediu-me que estivesse na próxima (ainda por agendar). Consegui que alguém, com trabalhos diversos nas obras lhe desse atenção e lhe encaminhasse trabalho. Ok registado. E Martinho está agradecido...

Quanto ao apoio,  não estou só nessa tarefa. Alguém lhe terá oferecido um telemóvel e o respectivo cartão pronto a ser usado... Amanhã, vou perceber como é que ele se desenrasca..."

Nos dias seguintes, e nos outros, e outros fui percebendo que nada mudou na vida do Martinho. Quantos mais contentores e autocarros vão arder até que a vida de gente como a dele vai mudar? Quanta gente ainda vai ter de morrer?

11 novembro, 2023

SÃO MARTINHO, OUTRA VEZ ARREPENDIDO


Conta a lenda que São Martinho terá com sua espada cortado a sua capa e com ela, compadecido, coberto os ombros de um mendigo, que quase jazia sob os efeitos de hipotermia. Ao reconhecimento do gesto de São Martinho, descobriu-se um sol como nunca então se vira e de pronto, por três dias, se viu suspenso o Outono. 

Tem sido assim, desde o ano de 337 até hoje, dia em que recebi um sms do Santo, que assim me escrevia, arrependido:
É pá, vê se descobres o mendigo
Ele que me devolva a meia-capa
Por aqui morre-se de frio
E não é com lendas que a gente escapa
(hoje em dia os milagres já não são o que já foram)

11 novembro, 2018

São Martinho, o santo arrependido


Conta a lenda que São Martinho terá com sua espada cortado a sua capa e com ela, compadecido, coberto os ombros de um mendigo, que quase jazia sob os efeitos de hipotermia. Ao reconhecimento do gesto de São Martinho, descobriu-se um sol como nunca então se vira e de pronto, por três dias, se viu suspenso o Outono. 

Tem sido assim, desde o ano de 337 até hoje, dia em que recebi um sms do Santo, que assim me escrevia, arrependido:
É pá, vê se descobres o mendigo
Ele que me devolva a meia-capa
Por aqui morre-se de frio
E não é com lendas que a gente escapa
(hoje em dia os milagres já não são o que já foram)

06 agosto, 2024

UM DIA MEMORÁVEL (agora com todas as legendas...)


Ontem publiquei este vídeo, mas as legendas ficaram pelo caminho. Recuperei-as. Ah, e alguém pediu o Curriculum do meu personagem. Ora aqui vai, bem resumido:

Martinho Baessa, 54 anos de idade, Nascido em Cabo Verde, Freguesia de Santiago, Habilitações Literárias antiga 4ª Classe, frequentando escolas lá escolas cá. Habilitações Profissionais, Carpinteiro de Cofragens e Calceteiro.
Empresas em que trabalhou, imensas, um pouco por todo o lado e sempre em trabalho descontinuado e precário.
É sem-abrigo que vive abrigado algures na Quinta do Marquês em edifício muito degradado, entrada por porta que tem cadeado.
Tem um neto, de uma filha, que reside em França. Tem passaporte válido, emitido pela Embaixada. Deixou caducar toda a documentação de residente, não tem CC mas já tem NIF...

E mais não digo, por mero desconhecimento... mas repito o que está sendo o meu compromisso: ajudar o Martinho: Ajudá-lo, a não regressar à bebida (há várias semanas que não bebe); ajudá-lo a recuperar a documentação; ajudá-lo a procurar emprego.

28 julho, 2024

IRÁ DESISTIR? OU SERÁ QUE VAI CONSEGUIR?


Este é o Martinho, cabo-verdiano de cerca de 50 anos que há muito anda, na vida, perdido.

A imagem é clara. Eu aponto-lhe o caminho. Ele confirma. Vamos ver se o segue ou se desiste. Não me limito a dar-lhe rumo, pois tenho vindo a dar-lhe apoio, nada tendo feito sem sua aceitação. Está nas suas mãos o que fazer da sua vida. Já o acompanhei em duas consultas no Centro de Saúde de Oeiras, pois sofre de dependência alcoólica.   A própria médica, pediu-me que estivesse na próxima (ainda por agendar). Consegui que alguém, com trabalhos diversos nas obras lhe desse atenção e lhe encaminhasse trabalho. Ok registado. E Martinho está agradecido...

Quanto ao apoio,  não estou só nessa tarefa. Alguém lhe terá oferecido um telemóvel e o respectivo cartão pronto a ser usado... Amanhã, vou perceber como é que ele se desenrasca...

30 julho, 2024

VOLTO À ATALAIA NO PRÓXIMO DOMINGO (AINDA NÃO SEI SE LEVAREI O MARTINHO)

Passei toda a manhã a montar e produzir o vídeo (este, que hoje edito):

 

Enquanto desenvolvia essa criativa tarefa, ia reflectindo nas relações de trabalho, no sentido de equipa, no empenhamento nos resultados da tarefa e, depois, no convívio. Filmei todas essas cenas. Envolvido em tudo isso e... veio-me à mente o Martinho... Há quanto tempo não trabalha ele? Será que tem sentido de grupo? Como reagiria ele ao regressar ao compromisso de ser responsável por uma tarefa? Como será seu comportamento em grupo de convívio?

Leva-lo comigo no próximo domingo, não me sai da cabeça... parece-me uma boa ideia que poderá ter efeitos positivos na sua reabilitação... (pagar-lhe-ei o salário, pois todos os que lá estamos fazemos trabalho voluntário)...

06 agosto, 2024

UM DIA MEMORÁVEL, PASSADO COM O MARTINHO...


Produzi o vídeo. Depois de o editar é que percebi que as legendas colocadas tinham desaparecido... mas... talvez seja melhor ficar assim... não serão condicionados por mais nada, que não sejam as imagens e, para além do som ambiente, pelo comovente testemunho do Martinho...

11 novembro, 2022

S. Martinho baralhou-se porque lhe baralhei a lenda...

(reeditado)

Conta outra lenda (que agora mesmo inventei)
que foi neste dia feita rica oferenda, a Baco, Deus verdadeiro. (como verdadeiros são todos os deuses)
A oferenda reunia um vinho divinal e um cesto de bela, doce e fresca fruta.
Tomou o gosto ao vinho e procurou, procurou, procurou...
Não encontrou, no meio de tanta,
que desgraça tamanha,
nem um única castanha!
Ia morrendo de raiva, de ira, de susto!
E por ter tão fraco magusto decretou que ninguém mais nesta data bebesse vinho, nem bom nem mau, nem sequer surrapa.
Seus súbditos e outros seguidores da fé
tementes a Baco, inventaram bebida estranha que dá pelo nome: "Água-pé"


Imagem de Baco, tirada daqui

08 outubro, 2012

Ao inacabado conto, acrescentei-lhe um ponto...



O desafio partiu do Vitor e a história já vai longa, escrita a vários teclados, como bem se nota. As regras são as seguintes: 
1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra" (http://osabordapalavra.blogspot.com), segundo o seu autor Gonçalo Cardoso. 
2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo do texto com o máximo de cinco linhas. Não é taxativo, tanto pode ser mais ou menos, mas sem exageros. 
3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que selecionar outro bloguista que cumpra a continuidade do texto, segundo as regras mencionadas. 
4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e seleção de novo bloguista por parte do seu autor. 
5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.
6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.
7 - Sejam criativos. Lista de Participantes: 

1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
2 - Buxexinhas (Pedacinhos de mim...) 
3 - Karochinha (O Meu Eu) 
4 - A Minha Essência (Roupa Prática) 
5 - Olívia Palito (Olívia Palito no País das Maravilhas) 
6 - L'Enfant Terrible (L'Enfant Terrible Lx) 
7 - Utena (Os meus idealismos)
8 - Alexandra Martinho (Ouso Escrever) 
9 - AC ( nadadecoisanenhuma) 
10 - Poppy (Apontamentos de Luz) 
11 - Briseis (do meu pedestal) 
12 - Teté (Quiproquó) 
13 - Vitor (PreDatado)
14 - Rogério Pereira (Conversa Avinagrada)
15 - 
16 - 
17 - 
18 - 
19 - 
20 - 

E começa assim: 

 "Já tinha dobrado as duas da manhã. Estava a sair da emissão de rádio, incomodado com um ouvinte que alegava a minha falta de isenção jornalística. Segundo ele, apenas dava voz aos ouvintes do sexo feminino e os temas escolhidos revelavam uma tremenda homofobia. Estapafúrdio, dizia para mim! Mas para o exterior resolvi o problema com a introdução de uma música de intervenção social. E assim fechei o programa. Peguei na mala, desci as escadas em direcção ao parque subterrâneo e ao chegar junto do carro encontrei um segredo envenenado..." 

 “No seu vestido vermelho delineado na pele, ela olhava-me intensamente recostada no capô do meu carro, como um lince que espera a sua presa. Por momentos o meu coração parou de bater. ‘Voltou…’, pensei angustiantemente. Fantasmas do passado e segredos escondidos no recanto mais negro do meu ser… Renascidos da minha cinza. Em passos lentos, dirigi-me a ela. As palavras silenciosas do seu olhar disseram-me para onde ela me levaria. Entrámos no carro seguindo para o local temido…”

 "...por ambos. Aquela falésia onde, alguns anos antes, a tragédia se abatera sobre as suas vidas alterou os seus futuros para sempre. E todos os anos, no mesmo dia, encontravam-se antes do amanhecer, naquela pedaço de rocha que se erguia sobre o mar, numa esperança vã de expiarem os seus pecados mais profundos. Chegados ao local, saíram do carro e mais uma vez, as suas mãos encontraram-se e uniram-se, os seus corpos aproximaram-se e ela disse-lhe:"

 "... Com a voz tremida, sussurrada, gélida, com a postura hirta e consciente do momento, Amanda começa a debitar desenfreadamente como tudo aconteceu, naquela fatídica noite... ... "Não tive culpa! Não tive! Acredita em mim, por favor! Foi um acidente. Foi ele que escorregou da falésia, ele!" - Sedutora mas ao mesmo tempo frágil, ela sabia exactamente como emaranhar um homem na sua teia. Sabia exactamente a palavra certa a ser usada, o gesto proveniente, o olhar mais assertivo para a ocasião. Manhosa, laça-o num envolvente abraço onde o choro compulsivo é o senhor do momento. Entre soluços mas, com uma voz doce, repete incessantemente, "não fui eu! Não fui eu!" - Com o rosto apoiado no peito de Edmundo, via-se claramente o sorriso dissimulado que fazia. Ele, estava completamente rendido à fragilidade dela mas, ao contrário do que ela pensava, que o tinha nas suas mãos, Edmundo, também tinha algo a dizer..."

 "... acerca daquela fatídica noite. Edmundo fixou o olhar na falésia e ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto os braços de Amanda o envolviam. De repente, ficou tudo absolutamente claro na cabeça de Edmundo, as peças do puzzle mental começavam a encaixar-se na perfeição. Lembrou-se da conversa off record que tivera com o inspector da polícia acerca do relatório da autópsia de Fred. Segundo o mesmo relatório, Fred havia ingerido uma dose substancial de whisky, confirmando assim o álibi de Amanda, de que Fred se desequilibrara e caíra daquela falésia. Porém, fez-se luz e um pormenor fulcral escapara a ambos: ao inspector da polícia e a Amanda, mas não a Edmundo..."

 "...isto porque Fred não bebia whisky, sofria de doença celíaca, de modo que tudo o que contivesse glúten, o que incluía bebidas feitas de malte, não lhe passavam pela garganta. Por outro lado a revelação Fred fizera a Edmundo um dia antes da tragédia era de todo desconcertante, tanto mais que de dizia respeito aos três, sendo que conteúdo da mesma tivera desde então um profundo impacto em Edmundo, ao ponto de o mesmo perder parte da sua imparcialidade jornalística. Ainda assim, envolto no choro soluçado de Amanda, Edmundo era incapaz de proferir uma palavra, de partilhar com ela o que pensava porque havia mais um elemento em jogo, uma dúvida perene que o levava a sentir-se tal como o mar revolto e sem definição que vislumbrava no horizonte..."

 “Não querendo mas ao mesmo tempo sem conseguir parar a maré das lembranças chegou-lhe à memória aquela noite que hoje lhe dava o conhecimento do facto de Fred não beber whisky. Fred confessou-lhe num ousado momento de coragem que se sentia atraído por Edmundo e que isso o deixava sem saber como agir pois nunca tinha sentido isso por homem nenhum já que sempre fora um mulherengo por natureza! A convivência dos dois, muito por culpa de Amanda, o lamber das feridas causadas por esta mulher de escrúpulos nulos tinha feito com que os sentimentos florescessem em dois homens que mesmo nada indicando que assim fosse os levou a sentir o que para ambos deveria ser tabu. Edmundo voltou a realidade com um soluço mais audível de Amanda e quando à olhava no profundo dos seus olhos verdes deu-se conta…”

 "...deu-se conta do quanto aquela mulher já havia sofrido. Fred horas antes de falecer havia contado a Edmundo que Amanda aos 20 anos se havia submetido a uma cirurgia de retribuição sexual. Sim, Amanda fora um menino em outros tempos, mas hoje era aquilo a que Fred e Edmundo chamavam de tentação. Edmundo olhava-a e um misto de sentimentos lhe assolavam a mente, perdera alguém que lhe era muito próximo, um amigo, mas também, um silencioso admirador. E ali, diante de seus olhos estava a mulher indefesa e esbelta que soluçava e por quem ele era estupidamente apaixonado, mas que carregava tão pesado segredo. Segredo esse que toda a sociedade condenava e condena. Edmundo perturbado necessita voltar, ir ao encontro do seu pedaço de chão para meditar e montar todo aquele puzzle confuso. Suplicou-lhe - "Amanda, necessito ir, vamos?". Amanda para ele olhou, com olhar fugaz, e disse..."

 "...És um homem cruel senão me aceitas como sou. E se assim for sem dúvida que não me mereces.Sou especial, sou única e estou disponível para te amar, com tudo o que tenho para te oferecer, mas jamais partilharia a minha vida ou o meu corpo, com quem olhasse para mim com desprezo ou nojo. Sendo assim cuida-te, olha para ti, observa-te com atenção e vais reparar em todos os teus defeitos... por agora vou apenas embrulhar-me no teu casaco sentir o teu cheiro e o teu calor que são presença nele e esperar que tu abras os olhos e possas ver para além do físico, do estereotipo e do preconceito a mulher que hoje eu sou...estou aqui, estarei sempre aqui para ti... de braços abertos...anda, decide-te não tenho o tempo todo..."

 "... Mas na cabeça de Edmundo cada vez mais as dúvidas e as desconfianças se instalaram. Havia demasiadas incongruências em torno daquela noite e um relatório conivente com o que Amanda lhe dizia mas contrário ao que conhecia de Fred, este jamais poderia ter bebido Whisky naquela noite. Não estavam em causa os desejos que nutria por aquela mulher, não se colocava em questão as mudanças de sexo, o que lhe assolapava as ideias era tão somente o que teria sido capaz de fazer aquela mulher de escrúpulos nulos, de vermelho vestida se soubesse do que acontecera entre eles, não foi capaz de lhe dizer mais nada. Levou-a a casa e naquele momento só uma coisa lhe ocorria, tinha de estar com o inspector responsável pela investigação..."

 "O encontro perturbador, aliado ao adiantado da hora, tinha um efeito nefasto sobre a sua lucidez. Conduzia como um autómato, a cabeça longe, muito longe da estrada por onde os olhos passavam. Era de noite, ainda. Para não enlouquecer durante as longas horas que antecediam a manhã e a sua oportunidade de falar com o inspector, foi para casa, tomou um banho tão quente quanto conseguiu tolerar e, ainda com o cabelo a pingar água e a pele a fumegar vapor, sentou-se a escrever a sua versão dos factos, a sua memória dos acontecimentos, caso algo lhe acontecesse... Escreveu tudo, longamente, e concluiu com a revelação do facto mais bem guardado:"

 "Fred confessara-lhe o ciúme que sentia de Amanda! Sem nunca lhe ter revelado, adivinhara a paixão e o desejo que transpareciam nos seus olhos quando ela aparecia em cena, naquele misto de sedução e de fragilidade que tanto o cativavam. Parou de escrever. E se...? Não, não era possível, que o amigo chegasse tão longe... Ele andava perturbado - os credores avolumavam-se à sua porta! - mas suicidar-se?!? Deixando no ar a suspeita de Amanda ser a culpada pela sua morte?!? Mas porquê aquelas revelações súbitas e inesperadas, poucas horas antes daquela fatídica noite? Era um plano macabro demais para ser verdade..."

 "Levantou-se, abriu as janelas de par em par e, debruçado sobre o parapeito, olhou as estrelas. Voltou para dentro apenas o tempo suficiente para apagar a luz. Não havia luar e assim o céu ficava mais bonito. Acendeu um cigarro, deu-lhe duas baforadas e voltou a contemplar as estrelas. Com Amanda e Fred na cabeça, ia falando consigo próprio. Aos poucos foi-se descontraindo no fumo do cigarro, na tentativa de ainda se lembrar do nome das constelações. Aquela é a Ursa Menor, aquela a Cassiopeia, aquela o Cão Maior. Raios! Porque não se lembrou antes disso? Fez um telefonema para Irina. Ela costumava ficar com o cão de Fred quando este se ausentava."

"A visita a casa de Irina foi demorada e difícil para ambos. A conversa  parecia não ter nexo, com Irina a tentar explicar o inexplicável de aquela carta de Fred só passados três anos aparecer. Irina estendera-lha com mãos nervosas e foi com mãos nervosas que Armando a recebera. Despediram-se com o luto nos olhos e sem uma palavra. Na rua e, depois, pelo caminho leu e releu o texto do sobrescrito cuja letra lhe era familiar. Em casa, levou um tempo tremendo até vencer o medo e  abrir a carta que lhe era dirigida: Meu querido amigo, quando leres estas linhas já terei partido. Não vos julgo nem culpo. E a haver culpados culpo a indignidade que me foi dada por uma vida que já não merece ser vivida. Não há uma só situação a explicar este meu acto, que muitos considerarão tresloucado. Foi tudo. Foi a minha incapacidade de vos amar. Foi a minha confusa sexualidade. Foram as dívidas acumuladas. Foi o desemprego e a incapacidade de encontrar alternativas. Foi a minha marginalização no partido. Foi tudo isso e ainda..."

PS. Passo agora a bola à minha amiga Lídia Borges (Seara de Versos). Tenho a certeza que se desenrascará com boa prosa.

11 novembro, 2024

DE COMO NASCEU A ÁGUA-PÉ, A GOSTO DE SÃO MARTINHO

(reeditado)

Conta outra lenda (que agora mesmo inventei) que foi neste dia feita rica oferenda, a Baco, Deus verdadeiro. (como verdadeiros são todos os deuses)
A oferenda reunia um vinho divinal e um cesto de bela, doce e fresca fruta.
Tomou o gosto ao vinho e procurou, procurou, procurou...
Não encontrou, no meio de tanta,
que desgraça tamanha,
nem um única castanha!
Ia morrendo de raiva, de ira, de susto!
E por ter tão fraco magusto decretou que ninguém mais nesta data bebesse vinho, nem bom nem mau, nem sequer surrapa.
Seus súbditos e outros seguidores da fé tementes a Baco, inventaram bebida estranha que dá pelo nome: "Água-pé"



Imagem de Baco, tirada daqui

11 novembro, 2014

S. Martinho baralhou-se porque lhe baralhei a lenda...

(reeditado)

Conta outra lenda (que agora mesmo inventei)
que foi neste dia feita rica oferenda,
a Baco, Deus verdadeiro. (como verdadeiros são todos os deuses)
A oferenda reunia um vinho divinal e um cesto de bela, doce e fresca fruta.
Tomou o gosto ao vinho e procurou, procurou, procurou...
Não encontrou, no meio de tanta,
que desgraça tamanha,
nem um única castanha!
Ia morrendo de raiva, de ira, de susto!
E por ter tão fraco magusto decretou que ninguém mais nesta data bebesse vinho, nem bom nem mau, nem sequer surrapa.
Seus súbditos e outros seguidores da fé
tementes a Baco, inventaram bebida estranha que dá pelo nome: "Água-pé"


Imagem de Baco, tirada daqui
(Claro que tudo isto é treta,
depois da jeropiga já nem sei o que diga...)

11 novembro, 2020

S. Martinho baralhou-se porque lhe baralhei a lenda...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conta outra lenda
(que há tempos inventei)
que foi neste dia feita rica oferenda,
a Baco, Deus verdadeiro.
(como verdadeiros são todos os deuses)
A oferenda reunia um vinho divinal
e um cesto de bela , doce e quente fruta.
Tomou o gosto ao vinho
e procurou, procurou, procurou...
Não encontrou,
no meio de tanta fruta,
que desgraça tamanha,
nem um única castanha!
Ia morrendo de raiva, de ira, de susto!
E por ter tão fraco magusto
decretou que ninguém mais nesta data
bebesse vinho, nem bom nem mau,
nem sequer zurrapa.
Seus súbditos e outros seguidores da fé
tementes a Baco, inventaram bebida estranha
que dá pelo nome: "Água-pé" 

Imagem de Baco, tirada daqui
 
(Claro que tudo isto é treta,
depois da jeropiga já nem sei o que diga...)

11 novembro, 2010

S. Martinho baralhou-se porque lhe baralhei a lenda...

Conta outra lenda
(que agora mesmo inventei)
que foi neste dia feita rica oferenda,
a Baco, Deus verdadeiro.
(como verdadeiros são todos os deuses)
A oferenda reunia um vinho divinal
e um cesto de bela , doce e quente fruta.
Tomou o gosto ao vinho
e procurou, procurou, procurou...
Não encontrou,
no meio de tanta fruta,
que desgraça tamanha,
nem um única castanha!
Ia morrendo de raiva, de ira, de susto!
E por ter tão fraco magusto
decretou que ninguem mais nesta data
bebesse vinho, nem bom nem mau,
nem sequer surrapa.
Seus súbditos e outros seguidores da fé
tementes a Baco, inventaram bebida estranha
que dá pelo nome: "Água-pé"


Imagem de Baco, tirada daqui
(Claro que tudo isto é treta,
depois da jeropiga já nem sei o que diga...)