27 junho, 2012

...na praia, à hora das gaivotas


Na praia, à hora das gaivotas
Meu poeta
(Um deles)
Me dizia um dia
Que não há nada mais triste
Que um Não, dito
Numa sala vazia

De dentro
Sinto
Outro dito
Nada há de mais triste
Que um nome sozinho
Num percurso de um caminho

Hoje estive na praia
À hora das gaivotas...
Como me canta o Tim
E olhei as pegadas da gente, tanta gente
Pegadas correndo atrás de mim
As pessoas?
As pessoas voam
Oiço-lhes as asas...
Rogério Pereira

17 comentários:

  1. Voam sardinhas nos botes
    cansadas de gaivotas
    que lhe bicam espinhas e cabeças.

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  2. Um momento
    captado nesse
    preciso instante
    como se o tempo tivesse
    instantaneamente
    parado...

    Estou a ouvi-las,
    as gaivotas
    e a vê-las em terra
    ontem, vi-as...

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  3. Hola amigo!

    Que belo passeio
    à hora das gaivotas,
    além de um belo espetáculo,
    pode-se deixar plasmar em asas tão alvas.

    O não, o nome sozinho, o percurso, as pegadas e pegadas que correm, pessoas que voam, são detalhes percebidos.

    Ouvir as asas, isto sim, é mágico!

    Bjs.

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  4. as pessoas voam, com os pés fincados na terra - assim se deseja.

    força, amigo!

    abraço

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  5. ...Talvez as pessoas voem por incapacidade de tocar o solo com os pés - a textura da terra pode incomodar
    Mas talvez as pessoas voem um vôo solitário e imaginário, rente a penugem de gaivotas - mas as gaivotas, são belas quando voam mas de perto, o que há de bom nelas é o som - é o silêncio de gente saindo de bocas das gaivotas
    Mas tudo é talvez, Rogério.

    Barbara

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  6. As pessoas voam mas ainda lhes falta o coração de mar e as asas de vento.

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  7. "As pessoas?
    As pessoas voam
    Oiço-lhes as asas..."

    Sim as pesssoas voam nos sonhos desfeitos (ou a desfazerem-se)
    Lindo, caro poeta (acho que lhe vou oferecer o Tim porque me fez apetecer ouvi-lo.
    Abraço
    rodrigo

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  8. Que as pesso0as voem e vejam a luz!

    Abraços.

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  9. A última estrofe está um espanto! O pior é que nem todas as pessoas voam!...

    (Qual é a hora das gaivotas, para eu ir também?...)

    Beijinho.

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  10. Quando o Rogério está inspirado nada detém esse dom de poeta.
    Lindo este poema!
    Eu também fico com as gaivotas, nessa hora em que apenas elas nos fazem companhia num encontro com o poente.

    Beijos
    Branca

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  11. Este é um poema cheio de um íntimo dizer. Como quem voa, diria eu, que sempre o soube muito mais da terra que do ar.

    "As pessoas voam, ouço-lhes as asas..."
    É desânimo o que vejo a transbordar da crítica?
    Até o guerreiro pode, por vezes, duvidar, o que não significa desistir, evidentemente.

    Aqui está uma prova de que a utilização da primeira pessoa num texto não significa, propriamente, falar de si. Ou melhor, falando de si, torna mais visível o que nos rodeia, a todos, enquanto colectivo. Neste caso, a falta de mobilização das pessoas em torno dos sérios problemas que todos enfrentamos no dia a dia.

    Lídia

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  12. Todos e todas temos momentos de voo só que nem sempre como gaivotas, às vezes voamos mesmo muito baixinho!

    Abraço

    Rosa dos Ventos

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  13. Parei e escutei o sussurro trazido nas asas das tuas palavras...

    Lindo poema Rogério.
    bjs
    cvb

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  14. GOSTO MUITO. Do poema, da foto, tudo!
    MG

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