23 novembro, 2016

Mesa Redonda (9) - Tema: conto escusado, embora bem comentado

Da esquerda para a direita: Eu, o Meu Contrário e a Minha Alma

Eu (virado para o Meu Contrário): Esta Mesa Redonda foi convocada por ti, meu juízo. Diz lá, por por que ajuízas ser o meu conto escusado?
Meu Contrário (muito sério e calmo): Tudo o que serve para pouco, podendo servir para muito, é um desperdício! (após um pequeno silêncio, prosseguiu). A ideia do conto é interessante, mas, mesmo tratando-se de ficção cientifica, não me parece que prenda alguém à leitura…
Eu (pensativo): És capaz de ter razão. Muitos foram os que vieram ler a sinopse e não voltaram. Houve quem voltasse para dizer ser um texto previsível...
Meu Contrário (como que encorajado): Pois! A narrativa das partes iniciais parece ter sido criada  para justificar o final. Usas e abusas dos links obrigando a ir ver a outro lado o que devia ser integrado no que está a ser lido...
Minha Alma (interrompendo nesse preciso momento): De facto, se tivesses caracterizado logo que a classe dos "deprimidos" resulta da evolução da actual precarização do trabalho, tudo seria mais claro... e a passagem escondida é forte, vejam bem: «61,5% dos jovens trabalhadores têm vínculos precários. Este nível de precariedade, instabilidade e insegurança pressiona os salários para baixo.130 mil dos jovens desempregados inscritos nos centros de emprego não têm acesso a nenhuma prestação de desemprego, sendo os mais afectados pelos cortes nestas prestações. 2/3 dos jovens dos 18 aos 34 anos vivem em casa dos pais, consequência visível da perda de direitos, dos contratos a prazo, salários de miséria e desemprego».
Meu Contrário: Falas em "Oficio" sem explicar o que é isso...
Eu: Mas se escrevesse sobre tudo isso, escrevia um livro.
Minha Alma e Meu Contrário (em coro): Então escreve!