04 novembro, 2016

Hoje é a vez do M (eme) a 13ª letra do alfabeto latino, poeta por destino



POEMA INTRODUTÓRIO
O poema tem o travo
De um raminho de hortelã
Sobre o vermelho do cravo
Dos poetas de amanhã

Ele há portas, muitas portas
Por detrás de cada muro
E os poemas do futuro
Tombam como folhas mortas,
Ou fervilham nas retortas
De um poeta ainda obscuro
Cujo percurso foi duro,
Cujas mãos pendem absortas
Porque se fecham comportas
Onde deve abrir-se um furo...

Há, porém, o travo fresco
De um pé de manjericão
A dominar o grotesco
E a passar de mão em mão

Abram alas, abram alas
Que o poema quer passar;
Cansou-se de se curvar
Pr`a desviar-se das balas
Que vão fuzilando as falas
Dos versos que quer cantar,
Mas que não volta a calar
Porque há-de ressuscitá-las
Assim que todas as salas
Se abram pr`ó futuro entrar...

Tem o gosto das amoras,
Traz o sabor do que é novo,
Troca as voltas às demoras
E vem dar mais voz ao povo!
Maria João de Sousa
in "A CEIA DO POETA"