28 novembro, 2016

«Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito»


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«Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.»
Leon Tolstoi, in “Sonata a Kreutzer”
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Há dias assim, em que nos limitamos a imitar os outros

3 comentários:

Anónimo disse...

Que posso dizer se não que - de um ponto de vista muito pessoal e subjectivo... - concordo com Tolstoi?

Abraço!

Maria João

Fê blue bird disse...

Meu amigo, este texto está, PERFEITO!
Ainda hoje comentava com o meu marido, que a vida na cidade está insuportável.
Eu que nasci em Lisboa, sinto que não tenho terra, raízes, um lugar onde me afirmar.


Um beijinho grato por esta "imitação".

Mar Arável disse...

A cidade
um pulmão que respira
Abraço