21 fevereiro, 2018

Poesia (uma por dia) - 94



Ele anda por aí, e depois de tantas outras personagens meteu-se na pele de Pessoa. Levando a coisa a sério, quis saber mais do poeta e interrogou, nas redes sociais, se Pessoa teria, não só ouvido p´ra música mas se a ouvia ou se gostaria dela. Reuniu contributos de muitos. 
O meu vai aqui...

Minha alma é uma orquestra oculta
Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.

Todo o esforço é um crime porque todo o gesto é um sonho inerte.
As tuas mãos são rolas presas.
Os teus lábios são rolas mudas.
(que aos meus olhos vêm arrulhar)

Todos os teus gestos são aves. És andorinha no abaixares-te, condor no olhares-me, águia nos teus êxtases de orgulhosa indiferente.
E toda ranger de asas, como dos (...), a lagoa de eu te ver. Tu és toda alada, toda (...)

Chove, chove, chove...
Chove constantemente, gemedoramente (...)
Meu corpo treme-me a alma de frio... Não um frio que há no espaço, mas um frio que há em vir a chuva...

Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.