08 junho, 2019

O Marxismo-Leninismo já passou à história?


Ontem, em torno de um enredo que metia gelado e medo, insinuava alguém que o Marxismo-Leninismo tinha acabado, jazia morto e enterrado e fazia-o observando que tinha passado à história. 
Aqui se demonstra o contrário. Está mais presente que nunca:

«Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável»- Marx, citado por mim

«A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também (...) a dívida do Estado impulsionou as sociedades por acções, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia.» - Marx, citado pelo "Castendo"

«Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites.» - Karl Marx, in "Salário, Preço e Lucro"
«Chama-se compromisso em política ao abandono de certas exigências, à renúncia a uma parte das reivindicações próprias, em virtude de um acordo com outro partido (...) A tarefa de um partido verdadeiramente revolucionário não consiste em proclamar impossível a renúncia a quaisquer compromissos, mas em saber permanecer fiel, através de todos os compromissos, na medida em que eles são inevitáveis, aos seus princípios, à sua classe (...) »
Lénine, «Sobre os compromissos»

6 comentários:

ematejoca disse...

Quando digo que o Marxismo-Leninismo passou à história, quero apenas dizer que já não se ganham eleições, pelo menos na Alemanha, evocando essas ideologias. O que interessa ao povo alemão, e não só, é o ambiente.

Vamos lá ver os votos que o teu Partido vai obter nas próximas eleições e depois falamos...

O Puma disse...

Na verdade as convicções
não se medem nas urnas
Abraço

Rogério G.V. Pereira disse...

Teresa
o ambiente é uma treta

leio

Contra a apatia eleitoral, na Alemanha

«Economistas e sociólogos se dividem sobre a melhor maneira de enfrentar a desigualdade social crescente na Alemanha. Alguns propõem um sistema de renda básica garantida, em que cada pessoa teria assegurado um salário mínimo mensal, independentemente de a pessoa estar empregada ou não.

O pastor Harald Schröder, que trabalha para uma organização cristã de ajuda aos sem-teto e necessitados, conta entre os defensores dessa ideia. Segundo ele, muitos pobres e desempregados têm vergonha de recorrer aos benefícios das agências de trabalho estatais, e o contato com as autoridades lá é muitas vezes desencorajador.

Ele acredita que uma renda básica ajudaria a reduzir a desigualdade social e "transformaria os necessitados em cidadãos em pé de igualdade", os quais se sentiriam, por exemplo, incentivados a votar nas eleições gerais deste 24 de setembro.

Com a desigualdade social e econômica como tema mais premente para o eleitorado de todo o país, não é de surpreender que o social-democrata Martin Schulz, que concorre contra a chanceler Angela Merkel pela chefia de governo, tenha colocado a igualdade e justiça sociais no centro de sua plataforma eleitoral.

Ainda assim, a apatia eleitoral é especialmente pronunciada nas regiões e bairros mais pobres da Alemanha. Em Bremen, onde um quarto dos adultos e um terço das crianças são considerados pobres, apenas metade dos eleitores habilitados foi às urnas no pleito municipal de 2015.

Desse modo, nem os eleitores dos democrata-cristãos de Merkel nem os do Partido Social-Democrata (SPD) obtiveram a vantagem, mas os abstinentes: uma tendência preocupante, que pode trazer sérias consequências para a votação federal de setembro.»

Maria João Brito de Sousa disse...

Por muitas voltas que dê - e podes crer que ainda as vou dando - , não vejo que o Marxismo-Leninismo jaza morto e enterrado, ainda que os problemas ambientais não sejam uma treta...

Abraço

ematejoca disse...

Depois da queda do MURO, ninguém AQUI quer ouvir falar do Marxismo-Leninismo.
Os Partidos alemães também pensavam que o ambiente era uma treta e agora estão de boca aberta e sem votos. O Partido socialista está moribundo.
Em DÜSSELDORF foram às urnas 69,9% e os VERDES venceram as eleições.

E vamos agora para PORTUGAL.
Quantos jovens portugueses sabem quem foi Karl Marx ou Lenine?
Quantos jovens portugueses leram o CAPITAL?
Os jovens são o futuro do mundo. Quantos jovens votaram no teu Partido?

Claro que as convicções não se medem nas urnas, mas quando essas convicções não convencem os eleitores, elas não servem para nada a não ser para quem as tem.

Já não é um pôster do Che que os jovens têm no seu quarto, é sim, um pôster da GRETA THUNBERG 🌷🌻


Rogério G.V. Pereira disse...

Teresa,

(Quase) tudo do que dizes é verdade,
o que te devia deixar preocupada.
A mim, deixa muito.
A ti, ao que parece, nada
A ausência de memória é pano de fundo
comum a todo o Mundo
e isso é uma ameaça

Aí, a reunificação alemã não resolveu nada
o Muro foi substituído por um fosso
Ignoras isso?
Então lê isto!

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/10/03/alemanha-lembra-os-28-anos-de-sua-reunificacao-sem-resolver-desigualdades.ghtml