13 junho, 2019

Para que não digam que não falei do santo, deixando a data em branco!

(reeditado)

Soubesse eu desenhar um só som que fosse
Soubesse eu escrever entre claves de várias partituras
Palavras e quadras (1) alegres, graves, suaves ou duras
Que sob a forma de canção
Te desse deste dia toda a sua dimensão

De arco, balão, vestes antigas e com antigas lembranças
Desceram a avenida com marcação e sorrisos
Da Liberdade de que desceram esquecidos
de antes sonhadas e ansiadas esperanças

Soubesse eu desenhar um só som, que nos fosse querido
E escreveria, à memória dos meus mortos (2) um hino
Que lembrasse, também, um sermão esquecido (3)
Desse, que trás ao colo um menino

Povo tão afastado de si, bem levado se leva
Por quem de alegria mascara a treva 
Rogério Pereira
 ____________________________________________
(1) desgarrada (2) meus mortos (3) sermão esquecido

6 comentários:

Clara disse...


E falaste do Santo sem (por uma vez que fosse) falares directamente sobre ele ou sequer teres aflorado o seu nome. Esta é de Mestre!
Espero que todos tenham em atenção os links nas notas de rodapé pois só assim está completo e bem "desgarrado" este teu post.

Eu por cá espero pelo próximo... Santo, claro está.

(gostei muito... e até a imagem que escolheste ficou perfeita)

Maria João Brito de Sousa disse...

Tendência imposta e politicamente correctíssima, essa coisa de "mascarar a treva de alegria", pegando no último verso do teu poema, Rogério.

Visitei todos os links, claro, mas foi esse específico verso o que me ficou a bailar na consciência já que todos os dias o vou confirmando nos poucos contactos face a face que vou conseguindo manter.

Um abraço e um manjerico imaginário, que este ano nem manjericão tenho.

Elvira Carvalho disse...

Gostei do poema. Depois fui ler os links e penso ter entendido o sentido.
Abraço

Janita disse...

…e, ao mascarar a treva de alegria
Vai o povo tentando dar cor ao seu Dia…

…dia que não é santo, mas de fadiga
De cansaço, desilusão e de intriga…

…intriga intrincada qual novelo
Que tanto se esforça este povo por entendê-lo!

Rosa dos Ventos disse...

Gostei do poema, li os links e gostei, gostei dos comentários e gosto de Santo António.
E fico-me por aqui...

Abraço

ematejoca disse...

Os links já conhecia!!!
O poema e a imagem absolutamente a meu gosto.
Eu, mulher do Porto, festejo o São João... e cá te espero com um manjerico na mão 🍀