03 fevereiro, 2024

OS AGRICULTORES CONTINUAM EM PROTESTO.... E O PCP ATÉ JÁ FALOU EM "DITADURA DA DISTRIBUIÇÃO"

A propósito da luta que continua e relembrando uma publicação recente retomo uma outra de 2019 (que teve 18 comentários), onde deixava um caso concreto ilustrando o que pode a "ditadura da distribuição" e os impactos maléficos que deixa. Aí, escrevia assim:
"403 mil toneladas de laranjas saíram dos pomares portugueses em 2018. Portugal teve, no último ano, a maior produção de laranjas dos últimos 33 anos. Contudo, o aumento da produção trouxe excesso de citrinos ao mercado e fez cair 20% o preço no produtor. Enquanto isso acontece, o Pingo Doce vende laranja importada, e não se importa nada. Quem distraidamente lê o rótulo julga tratar-se de laranja do Algarve, mas em boa verdade, esta laranja chegou de fora, da vizinha Espanha, transportada com elevada pegada ecológica...


Mas não se pense que a coisa fica por aqui. Outro caso. Uma garrafa de água num país onde ainda a vai havendo, não se dando prova de que não haja falta, é importada de... França e percorre inimaginável distância.

Se é verdade que o sector dos transportes continua a ser um dos sectores de actividade com maior consumo de energia ele também é, em consequência, um dos que mais contribui para as emissões de gases com efeito de estufa. 
E não se pense que fui à procura de casos extremos. Eles apenas ilustram duas situações extremas de como as grandes superfícies não só concorrem para agravar as condições da produção nacional não a escoando, como também, com as suas políticas comerciais, concorrem  para o aquecimento global. 


02 fevereiro, 2024

NA AGRICULTURA, A LUTA CONTINUA

 CNA e Filiadas convocam «Marcha Lenta de Tractores e Agricultores» em Vila Real

O Governo está a procurar colocar água na fervura, mas não responde às exigências dos agricultores. Como tal, a luta continua e no dia 7 de Janeiro irá realizar uma marcha lenta de tratores e agricultores para Vila Real. 


Na senda do que tem sido a demonstração de insatisfação o Governo tem feito o que sempre fez: prometer. O problema é que não cumpre e os seus compromissos estão bem alinhados com os interesses da grande distribuição e do agronegócio, antagónicos aos interesses dos agricultores. 

Esta semana o Governo lembrou-se de acenar com uns milhões para ver se continha a insatisfação. A questão é que, assim como a CNA afirma, os agricultores «só vêem tostões». É a realidade que assim o confirma, uma vez que «a única medida que poderá entrar em vigor de imediato é o desconto do ISP no gasóleo e tudo o resto não passa de um caderno de encargos para o próximo Governo». 

Ficando por resolver todos os problemas, a única forma dos agricultores estarem é a lutar. Por isso mesmo, a CNA, com as suas Filiadas, vai realizar, na próxima quarta-feira, 7 de Fevereiro, pelas 10h30, uma manifestação em Vila Real, por melhores rendimentos e preços justos à produção, na defesa da produção nacional, da Agricultura Familiar e dos Baldios.
 

Artigo publicado pelo AbrilAbril



01 fevereiro, 2024

A AGRICULTURA SAI À RUA... E TEM VITORIA CURTA NESTA SUA LUTA


O protesto e luta dos agricultores centra-se na reclamação de apoios prometidos e depois retirados e depois, com pálidas promessas, de serem pagos quando... ou quando... A luta, já ao cair da noite, deu como resultado algo de escrito e tudo regressa à anormal normalidade. 

Falou-se do agravamento dos custos de produção, falou-se das imposições da Política Agricola Comum que favorece a concorrência por parte de países fora da Comunidade Europeia (p.e. da Ucrânia) e impõe regras despropositadas e o protesto vai a esse ponto, reclamando a sua revisão. Falou-se do que era necessário falar, mas não se falou do que era indispensável que se falasse. Só Paulo Raimundo, que tivesse dado conta, denunciou de como a grande distribuição esmaga o preço dos produtos que compra. Falar em "ditadura da distribuição" não é excessivo...

Mas há algo mais de que ninguém fala. Só o PCP fala do papel dos grandes agrários, do latifúndio, do cultivo intensivo e  da desertificação. E não se limita a falar pois todos esses aspectos constam do seu programa eleitoral. No Programa, o PCP põe o dedo na ferida, defendendo o regresso à reforma agrária, ora leia:

O Partido Comunista Português (PCP), que concorre às eleições legislativas antecipadas de 10 de Março de 2024, em coligação com o Partido Ecologista Os Verdes (PEV), na CDU – Coligação Democrática Unitária, apresentou o seu programa eleitoral no passado dia 25 de Janeiro. E apresenta como opção estratégica “uma política agrícola que, a par da racionalização fundiária pelo livre associativismo no Norte e Centro, tenha por eixo central uma profunda alteração fundiária que concretize, nas actuais condições, uma reforma agrária nos campos do Sul, liquidando a propriedade de dimensão latifundiária“.

Os comunistas defendem ainda que se “condicione por lei o acesso à terra pelo capital estrangeiro”, uma política agrícola que “trave a exploração intensiva, predadora dos solos e das reservas de água (superficiais e aquíferos), e a especulação imobiliária “turística” e assegure o bom aproveitamento das potencialidades agrícolas do Alqueva e de outros regadios e obras de engenharia agrícola, tais como o Azibo, Vale da Vilariça, Vouga, Mondego, Lis e Cova da Beira, com a concretização de um outro plano nacional de regadios que assegure disponibilidades de água para a produção de alimentos, com a definição de regras concretas nas novas áreas a regar, culturas, formas de exploração, tipologia de investimentos e investidores, que garanta ao mundo rural o acesso às redes de telecomunicações (incluindo Internet) indispensáveis à concretização dos seus projectos” 

Do texto publicado no site "Agricultura e Mar"