Sem minimizar os problemas que a questão das qualificações colocam à necessária reindustrialização e ao indispensável desenvolvimento do aparelho produtivo do país, quero sublinhar que esse nunca foi um factor inibidor de tais desígnios. Prova-o António Tapadinhas pintando a Siderurgia no Seixal /Paio Pires, (muito perto dos meus lugares de infância). Se pintou esse quadro é porque, em determinada altura num Portugal atrasado e feudal, foi possível em 1961 avançar para uma industria exigente em qualificações num meio já com algumas caracteristicas industriais mas ainda predominantemente rural, como muito bem comenta o António, lá no seu blogue. Provo-o eu também, sendo exemplo pessoal e ao mesmo tempo testemunha de que a questão das qualificações não foi uma questão central.
27 setembro, 2010
Qualificações, Desenvolvimento e Produtividade - I
Sem minimizar os problemas que a questão das qualificações colocam à necessária reindustrialização e ao indispensável desenvolvimento do aparelho produtivo do país, quero sublinhar que esse nunca foi um factor inibidor de tais desígnios. Prova-o António Tapadinhas pintando a Siderurgia no Seixal /Paio Pires, (muito perto dos meus lugares de infância). Se pintou esse quadro é porque, em determinada altura num Portugal atrasado e feudal, foi possível em 1961 avançar para uma industria exigente em qualificações num meio já com algumas caracteristicas industriais mas ainda predominantemente rural, como muito bem comenta o António, lá no seu blogue. Provo-o eu também, sendo exemplo pessoal e ao mesmo tempo testemunha de que a questão das qualificações não foi uma questão central.
01 maio, 2021
DE ABRIL A MAIO, DE ViVaVoz
06 abril, 2021
PLANEANDO O 50º ANIVERSÁRIO DO MEU BAIRRO
Vai ser já no próximo sábado a primeira reunião da Comissão Organizadora do evento. E já tenho uma mão cheia de ideias e já também de alguns convidados que darão brilho à festa. Àquele a que já aqui referi (lembram-se do Francy Inocenti?) junta-se um outro, um grupo, de que mais à frente falarei dele.
Estava eu a saborear o sol da esplanada quando a Eugénia, vizinha amiga antiga de tantos anos quantos o bairro conta, me abeirou. Falámos disto e daquilo e veio a talhe de foice falar da nossa festa. Ela canta que até encanta e lembrei-me do grupo. Lancei-lhe a escada. Ela sorrio e a participação ficou quase de pronto ali assegurada. Vai ser lindo, ora oiçam...
14 dezembro, 2020
Burro velho, afinal, aprende linguas
Se foi fácil ao burro velho aprender a linguagem com que tinha de organizar a Assembleia? Foi!
Via "zoom", que é aquela ferramenta que usam os putos que não vão à escola sem que essa ausência seja "gazeta", fui dirigir a Assembleia.
E o que então se passou foi:
Cumprindo um Procedimento Extraordinário para regular o acto de discussão, apresentação de propostas de alteração e votação das Propostas de PLANO DE ACTIVIDADES E ORÇAMENTO PARA 2021, foram aqueles documentos aprovados por (cerca de 48% dos Associados).Do Plano de Actividades, salientam-se as passagens, a seguir transcritas:2 – O PLANO DE ACTIVIDADES
i. Projecto “Literacia Democrática” em parceria com o Centro Qualifica e envolvendo Escolas Secundárias – tem uma elevada probabilidade de poder vir a realizar-se tendo em conta que envolve e se destina aos jovens do 12º e aos professoresdas escolas com as quais temos vindo a desenvolver actividades;ii. Projecto “Venham Mais Cinco” – Visitas a exposições e locais de interesse cultural e/ou turístico, nos Municípios limítrofes, com deslocação limitada à lotação de um (ou mais) automóvel ligeiro de passageiros. Tem uma elevada probabilidade dado que é uma iniciativa de organização muito flexível e que tem que ser ajustada às condicionantes decorrentes das medidas praticadas pela entidade a quem pertence a iniciativa/evento;iii. Projecto “Direitos dos Idosos e prática da cidadania” em parceria com a FARPIL – Depende, em primeira análise, das condições de uso das ferramentas que suportarão a iniciativa;iv. Projecto na área da saúde, em parceria com a ARIA - Associação de Reabilitação Ajuda e outros, relacionados com os riscos/efeitos da propagação do Covid-19 – encontra-se em processo de concepção e terá início ainda em 2020.v. Bairros com História – Celebração do 50º aniversário do Bairro da Medrosa, em Maio, como resposta a solicitação dos moradores do bairro. Está em vias de ser formalizada a constituição da Comissão Organizadora da celebração do Aniversário. A “Desenhando Sonhos” foi convidada para coordenar esta comissão, que em principio integrará dirigentes das seguintes organizações: EMACO; Clube Futsal de Oeiras; Clube de Voleibol de Oeiras e Escuteiros de São Julião da Barra, cuja sede foi recentemente inaugurada e que se situa no bairro.vi. Excursão à Lourinhã – Dino Parque e Paimogo (visita à homenagem de Vhils a José Saramago, naquela praia) – Tem a sua realização condicionada às medidas que vigorarem à data, pelo que se prevê realizar no mês de Setembro.vii. Iniciativas coincidentes com datas relevantes (a programar pela Direcção):1. 21 de Março – Dia Internacional da Poesia2. 25 de Abril – Tema relacionado com o Projecto Literacia Democrática3. 5 de Junho – Dia Mundial do Ambiente4. 14 de Setembro – Aniversário da “Desenhando Sonhos”
05 janeiro, 2013
Álvaro Cunhal, "Porque nenhum de nós anda sozinho / E até mortos vão a nosso lado.” - 6
"Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis" - Bertold Brecht
Hoje somos todos imprescindíveis...
22 março, 2021
NO MESMO LOCAL ONDE ACONTECEU DIÁLOGO, OCORREU HÁ POUCO UM OUTRO
08 abril, 2021
CONTINUANDO A PLANEAR O 50º ANIVERSÁRIO DO MEU BAIRRO
E ainda vai ser só no próximo sábado a primeira reunião da Comissão Organizadora do evento e já tenho mais que uma mão cheia de ideias....
Hoje junto mais um àqueles outros convidados que darão brilho à festa. Ao primeiro a ser referido (lembram-se do Francy Inocenti?) juntei canto e adufe e agora...junto ópera! Boa?
23 setembro, 2020
Somos todos jardineiros...
No meu bairro, à beira de comemorar o seu 50º aniversário, ainda perdura aquela relação de boa vizinhança, a mesma que reforça o sentido em se falar de comunidade, de laços solidários, de amizade de que se dá amiúde testemunho por longas conversas de praceta, de vão de escada ou até mesmo nas reuniões de condóminos que periodicamente vão acontecendo e tantas vezes são autênticas tertúlias, povoadas de sorrisos.
Haverá excepções, mas eu falo da regra, e a regra herda um passado não alheio ao sentido colectivo que sempre uniu seus moradores.
Hoje, ao fim da manhã, um bater muito suave soando a bater de nó de dedo, tímido, quase a medo fez com que tenha aberto a porta, sem espreitar pelo ralo. Era o meu vizinho de cima. Na mão pendurava um vaso e o rosto era o espelho da alma quando me dizia que aquela planta era um abacateiro e que a ia plantar, no logradouro ajardinado fronteiro ao nosso prédio. Fez um pequeno silêncio e depois foi-me dizendo:
É a nossa homenagem à dona Teresa.
Eu cheguei a dizer não sei o quê e de seguida acrescentar mais qualquer coisa, mas a voz embargada não deixou que dissesse mais nada. Emocionei-me e ele se emocionou também.
E o abacateiro lá está. Seremos todos jardineiros, disponíveis para cuidar e prontos para colher os primeiros frutos que haverão de ter um doce sabor a saudade...
07 agosto, 2023
O LIVRO QUE VOU ESCREVENDO - JÁ TEM CAPA
Melhor dizendo, a capa já tem a imagem que a ilustrará. Trata-se de tela de pintura a óleo da autoria de António Tapadinhas e já a ela fizera referência há mais de uma dezena de anos atrás. Relembro o texto, que vem bem a propósito:
Sem minimizar os problemas que a questão das qualificações colocam à necessária reindustrialização e ao indispensável desenvolvimento do aparelho produtivo do país, quero sublinhar que esse nunca foi um factor inibidor de tais desígnios. Prova-o António Tapadinhaspintando a Siderurgia no Seixal /Paio Pires, (muito perto dos meus lugares de infância). Se pintou esse quadro é porque, em determinada altura num Portugal atrasado e feudal, foi possível em 1961 avançar para uma industria exigente em qualificações num meio já com algumas caracteristicas industriais mas ainda predominantemente rural, como muito bem comenta o António, lá no seu blogue. Provo-o eu também, sendo exemplo pessoal e ao mesmo tempo testemunha de que a questão das qualificações não foi uma questão central.Como exemplo: Chego à Siderurgia em 1973 como consultor para acompanhar a expansão da SN com a criação de uma nova fábrica a construir no norte, na Maia/Ermesinde (1). Responsabilidade técnica de elevada exigência, pois era responsável por montar todo o sistema organizativo das áreas de aprovisionamento e manutenção da nova fábrica. Que tinha eu feito para me habilitar a tal? Pouco ou mesmo nada: Tinha frequentado o ISEL; tinha sido vendedor nem eu já não me lembro do quê; tinha sido quase-jornalista; tinha sido enfermeiro militar... E, como não há milagres recebi com o projecto todo o "saber-fazer" da empresa que aceitou o risco de se limitar a contratar um gajo que sabia-estar, sabia-saber e sabia-querer...Como testemunho: A qualificação de funções operacionais foi adquirida no contexto da realização dos projectos quer em 1961 na fábrica do Seixal quer em 1975 na fábrica de Ermesinde...A grande questão, a questão central está localizada no desenvolvimento. Uma estratégia bem conduzida ao nível do investimento permite ultrapassar grande parte das dificuldades ao nível das qualificações, diz-me a experiência...A boa integração da formação qualificante nos próprios projectos de investimento é, como referi, uma forma de ultrapassar grande parte das dificuldades, mas não todas. As outras, resultantes do facto de Sottomayor Cardia(2) ter desmantelado em 1975 toda a equipa do Ministério da Educação e ter unificado o ensino, deixando cair as escolas técnicas, deixaram marcas profundas no saber-saber (competências básicas), no saber-estar (ninguém que vestir o fato de macaco) e no saber-querer (todos querem ser doutores ou engenheiros, porque apenas se valoriza socialmente esses status). Há muito que fazer para reverter estas situações... No ensino as grandes mudanças, boas ou más, projectam-se no tempo e são duradores os seus impactos ou sequelas. Ainda vivemos delas...Hoje, o quadro do António espelha bem um declínio mais profundo do que aquele que directamente está presente na imagem que pintou. Obrigado António por retratar tão bem a nossa realidade.--(1) Ver História da Siderurgia em Portugal(2) Ver comunicação de Mário Cerqueira Correia (ex-director) no 50º aniversário da Escola João Gonçalves Zarco e ver ainda "História da Educação em Portugal"


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