31 julho, 2010

As peixeiras do Bolhão que conheciam bem António Feio, ficaram a conhecer Saramago (ou como eu gostava que tudo isto fosse verdade...)

O Programa do "Festival Sete Sois Sete Luas" desenvolve-se em vários países,
(em Portugal em várias localidades) sem que muita gente o saiba... o que é pena!
O Semanário Expresso de hoje não diz peva. Quase toda a imprensa ignora...
Assim, como é que as notícias podem chegar ao Bolhão?
Claro que a classe média não pode saber quem foi Saramago e, ainda menos, quem foi o Zezito....

Enquanto dura a homenagem a José Saramago, um pouco por todo o Mundo e na sua terra natal o fazem com particular carinho, por cá perdem-se energias para se conseguir atribuir o seu nome a uma rua do Porto. Num blogue amigo, dava-se conta da existência de uma petição para reparar a injustiça do executivo portuense que, numa atitude do mais retrógrado provincianismo grunho, rejeitou uma proposta naquele sentido. Aí e de pronto, alguém, também de entre as minhas recentes amizades, discordava nestes termos:
"Mas o que pensa o portuense da classe média? Sabe o portuense que vive na rua, quem era o Saramago? Perguntem às peixeiras do Bolhão, se querem uma rua com o nome de um Prémio Nobel?"

Claro que não sabem. Mas eu fui lá dizer-lhes. Embora não sabendo como, o estado emocional em que se encontravam facilitou-me a tarefa. Entrei assim: "Aposto que essa lágrima se deve à morte do nosso António Feio" e, sem esperar resposta, lá fui dizendo o que ontem escrevi no meu post: "O que recordarei dele é a imagem de um homem que falava com ele mesmo, olhos nos olhos", acrescentando, " e recordarei também o seu sorriso" . "Ah, o sorriso..." exclamaram algumas, sublinhando em coro o seu acordo às minhas palavras. Senti-me assim encorajado a falar de Saramago, contado-lhes como Saramago definia os sorrisos dos homens bons e que tinha lido aqui... "é bonito isso que nos conta, e quem é esse Saramago?" Perguntou uma delas e eu respondi: "Saramago foi um homem da escrita, que uns amam e outros odeiam. Espera-se que o seu nome seja dado a uma rua daqui, do Porto". "É justo!" exclamaram em coro. Saí dali com um sorriso, pensando num dos que Saramago tão bem definiu...
-
IMPORTANTE:
Para vencer o silenciamento e a omissão, aceitei a ideia da Fernanda () em, eu aqui e ela lá (Na Casa do Rau), editarmos, num dia da semana, um texto alusivo a José Saramago. Será curto, mas forte e profundo, como eram os pensamentos dele. Matéria-prima não nos falta e se alguém nos quiser seguir o exemplo, escusa de procurar. Pode ir aos seus cadernos. Tem aqui mais de 1 milhão de textos é só escolher. Também pode usar um destes seus 74 pensamentos. (curiosamente a grande fonte é de bloguistas brasileiros...)
-
Junte-se a nós, dedique um post por semana a um pensamento de José Saramago!