13 maio, 2018

Um conto ao Domingo - XIV ("Bolas!")

(qualquer aderência do conto à realidade é mera coincidência)


Israel oleou a máquina e ganha. 
Antes que Benjamin "Bibi" Netanyahu tivesse tempo de reagir, já a Associação Sindical dos Diplomatas Israelitas (ASDI), que teria lido o post do Politeia, se adiantava e, através de um seu responsável, transmitia um sms partilhado com todos os membros do Likud com a seguinte mensagem:

"É uma tremenda vitória para a diplomacia sionista!"

O "Bibi" de pronto ligou à Netta "Tens uma medalha garantida, mas tens de levar a tua tarefa até ao fim!", disse. A Netta, lançou então o que lhe mandava a diplomacia, impor Jerusalém, não vá a coisa resvalar para Telaviv.

Outras reações, por esse mundo fora, não se fizeram esperar. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que tinha afirmando que Jerusalém tem de ser reconhecida como capital de Israel e da Palestina, exclamou, "Bolas!"

A mesma exclamação, segundo testemunhas há pouco ouvidas, foi pronunciada pelos governos da Arábia Saudita e do Egipto. O primeiro-ministro turco Binali Yildirim, que há tempos tinha referido que "Jerusalém é um assunto delicado para o mundo islâmico, foi mais longe e disse "porra!", e o Macron, que também teria alertado a Trump, por telefone, que reconhecer Jerusalém como capital de Israel seria má ideia, voltou a ligar-lhe e desabafou, "que grande merda!".

Até mesmo o papa Francisco se manifestou que tinha em tempos pedido que o status atual seja mantido, usou um vernáculo que lhe é pouco apropriado.

A Televisão Israelita acaba de enviar um extenso dossier com a memória descritiva do projecto para a Eurovisão e o requerimento para usufruto dos concorrentes: na Cidade Velha, das 14 estações pelas quais se acredita que Jesus passou carregando a cruz até Igreja do Santo Sepulcro; da mesquita de Al-Aqsa; da Cúpula da Rocha; do Muro das Lamentações; do pedacinho do Templo de Jerusalém erguido por Herodes.

O exército já deu garantias de poder expulsar a população palestina, é muita gente... mas um ano chega.

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A imagem que se segue nada tem a ver com o conto, é já (a triste) realidade. A partir de amanhã, tudo pode acontecer...