15 maio, 2018

É tudo tão excessivo... faz-me recuar aos tempos dos fascismo


Nos últimos tempos, tenho amenizado o meu próprio asco com frequentes referências a uma citação que tomei por minha e que venho repetindo "o futebol é tão só e apenas a coisa mais importante de entre aquelas que não têm importância nenhuma". 

A imagem acima assusta e faço juramento de não mais repetir tais palavras. O que se passa, passou hoje, é tão excessivo que faz-me recuar aos tempos do fascismo, à alienação alimentada, à agressividade sublimada e mal contida, às veementes discussões sobre tudo e sobre nada, sobre o que não deveria passar de mero entretenimento. 

Há dias, comparei Bruno de Carvalho a Trump numa comparação que parecia fazer sentido. Não faz. O que se passa é pior que isso, pois vai para além dos actores...
«a rivalidade no desporto é tanta maior quanto maiores forem as rivalidades sociais, regionais, nacionalistas e outras. E a ambição da vitória é uma preocupação tanto mais acentuada quanto maiores forem as frustrações pessoais. As dividas monstruosas contraídas pelos clubes exprimem toda a obsessão do resultado. Se as agremiações desportivas vegetam na grandeza dos seus défices, é porque os associados fazem do comportamento das equipas uma razão de prestigio, um motivo de vergonha, uma questão de honra. Para garantir ou acautelar os êxitos, são os dirigentes obrigados a campanhas jogadores mais habilidosos ou esperançosos, por verbas incomportáveis, e sempre crescentes. Como, de igual modo, são forçados a contratar, a peso de oiro, os treinadores de processos fulgurantes, os que melhor dirigem ou conduzem os homens, nas batalhas dos estádios. E para cobrir as ofertas dos adversários e as encargos resultantes, com frequência desabusada se recorre mobilização de mecenas, aos empréstimos urgentes, do hipotecas de ocasião, às influencias políticas, aos favores dos governantes. Para não falar, já, da pressão moral e, mesmo, do suborno de árbitros e contendores, como também dos habilidosos processos de secretaria, da agressão corporal, da utilização de utilização pelos jogadores da própria equipa, etc.»
Prof. José Esteves,
in "O Desporto e as Estruturas Sociais", 
ed. PRELO 1970
É tão actual que até dói!

4 comentários:

Maria disse...

Tenho receio que o que aconteceu hoje tenha sido uma primeira vez de outras, no futebol e não só.
Abraço

Maria João Brito de Sousa disse...

A rivalidade e a competitividade. Duas filhas queridas do capitalismo selvagem que despertam em nós o que há de pior, mesmo quando ficamos convencidos de estar a dar voz ao nosso melhor.

E,sim, tens toda a razão, o que se passa transcende em muito os actores.


Abraço, camarada Rogério.

Gil António disse...

Bom dia. O que se passou ontem no reino do leão foi uma VERGONHA MUNDIAL. Oxalá não traga graves consequências ao nível da debandada de jogadores.
.
* Amar-te em amor de dor sentida. *
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Votos de um dia feliz.

São disse...

Há anos que a alienação e o incitamento à violência que passou de verbal a física vem em crescendo e ninguém , até com responsabilidades , fez algo para travar isso - antes pelo contrário.

Sou , sempre fui e serei adepta do Sporting , que não merece uma macha destas e Portugal ainda menos.

Espero que este crime seja exemplarmente punido.

Por minha vontade nem Bruno de Carvalho nem Pinto da Costa seria presidentes há muito tempo.

Quanto ao texto, infelizmente tenho que concordar contigo : até magoa a sua actualidade !

Bom resto de semana