27 maio, 2018

A propósito da liberdade de decidir

imagem tirada daqui
«- o “já não quero viver” 
terá de ser conjugado 
única e exclusivamente na primeira pessoa, 
quando o sofrimento for considerado, 
sob o ponto de vista científico, irreversível. 
(Felizmente, hoje, a medicina já sabe identificar
 tais estados, sem margem de erro.)»

Assim, cumprido o requisito, passará a haver a reclamada liberdade de opção... E essa será a única opção, pois identificado o estado bastará uma endovenosa adquirida na farmácia de serviço, uma declaração do próprio e outras determinadas exigências processuais, sem excluir o acto médico.

Para a alternativa, só 2% dos doentes que precisam é que terão a "liberdade de escolher" os cuidados paliativos. Estes requerem uma estrutura qualificada, exigem pessoal diverso especializado e, na maior parte dos casos, exigem disponibilidade de uma cama hospitalar... e isso é um esforço elevado para o SNS.

É oportuno lembrar que Manuela Ferreira Leite, num assumo de clara referência aos custos, disse como se fosse um desabafo que entendia que os doentes com mais de 70 anos que necessitem de tratamentos de hemodiálise os devem pagar. “Tem sempre direito se pagar”, disse.

Suponho que a falência da função renal é irreversível e se trata com custos na ordem dos 2000 euros por mês e por doente... basta que o paciente "decida" e... pimba.

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