27 dezembro, 2010

Da minha janela - 3

"Contrariamente ao que vulgarmente se pensa, as janelas não servem só à contemplação. Nem queiram saber o que é possível ver de uma janela. O que nos diz uma rua, uma praceta, mil telhados e a sarjeta. Como nos fala uma trepadeira, o que nos canta uma árvore e como nos sussurra a palmeira. Tenho tudo isto e mais um rio que me passa diante do pensamento e que raramente transborda as margens físicas, de tão acalmado correr".
Falava eu assim neste post e neste outro falava dos amigos mais chegados e que da minha janela via. Hoje quero falar do meu olhar. Essas outras janelas que servem mais que para contemplar, me servem para entender. Entender o que, através delas, eu vejo. São verdadeiras essas janelas. Vejo o bem e o mal. Vejo-te a ti, a ela, a ele e ao outro. Vejo todos e vejo, por aquilo que escrevem, o que pensam. Para meu pesar o que mais dói ver é os que deixaram de pensar. Dói ver aqueles que deixaram de o fazer... e eu a ver! Mas também dói ver a máquina a empurrar tudo e todos para um só lugar. Que lugar é esse? Ah, como eu gostava de saber... Talvez o veja colocando a minha janela mais alto. Talvez nos céus...

-----------------------U2 - Window in the Skies