17 maio, 2013

Poesia (uma por dia) - 35


«Non dimittitur peccatum nisi restituatur ablatum»
Não! Não é do «Sermão do bom ladrão»
Que vos falo, com mágoa na voz.
É de mim, é do povo, é de nós,
Das sombras que se estendem pelo chão.

E dos pés que nos pisam? Esses não,
Não podem ser de gente assim atroz.
É que os pés sem as sombras morrem sós,
As sombras sem os pés não morrerão.

Eu não gosto dos pés, eu tenho medo
A quem o rosto dei, nele cuspiu.
Antes o rude corpo do penedo,

E sem alma, sem razão, cego ou mudo,
Onde possa como ele, também eu,
Resistir às tempestades e a tudo.

Né Fonte /  "Mais 1 Poema"