13 outubro, 2014

Eleições no Brasil - Filmezinho (I)


TAKE 1 - A câmera percorre, lenta, a multidão agitando bandeiras vermelhas, segue-se um grande plano em que um homem forte, de cabelo bem grisalho e farto bigode fala ao telefone. Findo o curto diálogo volta a mostrar-se as bandeiras. Sobre elas, passa em letras garrafais o seguinte texto, em cortina, de baixo para cima:
ESTADO DO MARANHÃO 
Área 331 937,450 km2 (três vezes e meia maior que Portugal) 
640 quilómetros de litoral - Cerca de sete milhões de habitantes (20,64/km2) 
*** 
FLAVIO DINO do Partido Comunista do Brasil, foi eleito com 64,02% 
O primeiro governador comunista do Brasil 
Os mídia ignoram ou desvalorizam o facto, 
as bandeiras vermelhas com a foice e martelo 
afastam tabus conquistando o seu espaço. 
***  
Candidato dos Sarney, que governavam o Maranhão há 50 anos, 
ficou-se pelos 32 % 
(guião retirado daqui)

TAKE 2 - A câmera dá a imagem da esplanada, com o senhor engenheiro afagando o seu cão rafeiro e a dizer convicto: "Não sei o que aquilo vai dar, mas depois daquele "Marinho de Saias" o Partido Socialista Brasileiro vai ficar em cacos"
 
TAKE 3 -  A cena começa com um grande plano da dona Esmeralda, depois passa a um zoom-out, onde a câmera a fixa a falar com a vizinha do 4º andar. Segue-se um curto diálogo e, de seguida, dona Esmeralda lê parte do artigo do Avante, em voz alta:
«A nossa simpatia e solidariedade para com a candidatura apoiada pelo Partido dos Trabalhadores e por outras forças de esquerda em que se inclui o Partido Comunista do Brasil, não ignora as dificuldades, contradições e limites do processo de mudança em curso neste imenso país/continente. Nem esquece que a par das eleições presidenciais se realizaram eleições para governador dos diferentes estados, para deputados e senadores e que, apesar de alterações que importa avaliar, a relação de forças daí resultante permanece globalmente desfavorável às forças de esquerda. E bem sabemos que uma coisa é ter a presidência e posições importantes no aparelho de Estado, outra coisa bem diferente é ter o poder. É uma evidência que a vitória de Dilma não assegura por si só o prosseguimento e aprofundamento do processo de mudança iniciado em 2002 com a primeira eleição de Lula. Como as manifestações de Junho do ano passado confirmaram, só com o apoio e mobilização das camadas populares interessadas será possível quebrar a resistência do Capital e avançar com as transformações económicas, sociais e constitucionais que a sociedade brasileira reclama.(...)»
Ia a leitura assim ouvida quando é interrompida pelo grito do Rogérito: "Vizinha, a eleição de Morales na Bolívia, pode dar uma ajudinha à Dilma!"

CONTINUA