05 fevereiro, 2010

“Isto não é um jornal. É uma droga! (será que ainda vou preso por ser consumidor?)

Apesar de bem vigiada, alguma droga mandada destruir voltou ao circuito da distribuição. O SOL passa-a a preços de saldo (3 € que dá para a semana toda).

Não quantifiquei o espaço ocupado pelas “Escutas proibidas”, “Face Oculta” e outras drogas, mas é tremendo, imenso, grande, mesmo muito grande. Não sairemos tão depressa da depressão.
As drogas pesadas ocupam 5 páginas, as leves estão dispersas por quase todo o jornal. Contudo, sendo leves são em doze de cavalo. Assim, ai de mim consumidor.


Parte séria I - O SOL faz jornalismo de investigação?

Porque não sei, chamo a testemunhar o jornalista Óscar de Mascarenhas (testemunho prestado Agência Lusa em 15 de Novembro)

Muito pouco do que é feito em Portugal cabe no conceito de jornalismo de investigação, defende o jornalista Óscar Mascarenhas na sua tese de mestrado, com o título “Detective historiador” (que mereceu 19 valores). No seu trabalho procurou criar uma grelha de caracterização desse conceito tendo encontrado dez pontos que podem definir o jornalismo de investigação. Segundo a Lusa, OM terá emitido a seguinte opinião:


“Quase nada o que é feito em Portugal cabe no jornalismo de investigação porque se baseia em fontes não identificadas e não garante que as coisas tenham uma verdade. O que sai do jornalismo de investigação tem de ser uma verdade que resiste ao tempo (…) com a verificação dos dez pontos da grelha de caracterização vão cair muitos ídolos de pés de barro".

Os dez pontos da grelha que permite identificar um jornalismo de investigação:

  1. Mais do que assegurar a verdade dos testemunhos, garante a verdade dos factos, depurada mediante a verificação e confronto de fontes;

  2. Procura situações ocultas ou deliberadamente escondidas;

  3. Foge à agenda institucional ou, quando eventualmente a acompanha, fá-lo com propósitos de denúncia ou de revelação de situações não desejadas pelas entidades que a estabeleceram;

  4. Selecciona os seus temas entre aqueles cuja relevância pode eventualmente mudar um juízo de valor dominante;

  5. Ser jornalista de investigação pressupõe uma obra pessoal e personalizada e não apenas e só a mera divulgação de documentos ou informações passadas por outras entidades que prepararam a sua difusão;

  6. O jornalismo de investigação não é equívoco nem insinua – É afirmativo e factual, fornecendo os elementos necessários para que o público faça livremente o seu juízo de valor ponderado e autónomo;

  7. É um jornalismo que redobra o escrúpulo e a lealdade para com o público, as fontes e os visados sem deixar de ouvir ninguém com relevância para o caso, bem como não omitir qualquer informação importante;

  8. Para se ser jornalista de investigação é necessário não encarar o "double checking" (verificação da informação) como uma formalidade, mas antes como uma essencialidade: é a prova dos noves obrigatória - ou da operação inversa - para cada afirmação que se faz;

  9. A verdade difundida pelo jornalismo de investigação, tem de estar munida de robustez que lhe permita enfrentar as intempéries de um tempo longo sem poderem ser postas em causa;

  10. Finalmente, o jornalista de investigação tem de possuir coragem, não forçosamente física, para assumir por si só, sem transferências, todas as responsabilidades do que foi publicado.

Cabe aos meus leitores dizer se o SOL está fazendo jornalismo de investigação. Vá meus caros, toca a trabalhar!

Parte (quase) séria II - Porquê atacar Sócrates e não as suas políticas?

O ataque a Sócrates não parece claro, porque não é directo (excepção feita na coluna "Politica a sério" de JAS), mas a quase ausência de ataques à política do governo socialista é uma evidência. Quanto a mim, existem várias razões. Destaco três:

  1. O SOL está infiltrado por jornalistas simpatizantes da informação golpista;

  2. Se o SOL se concentrasse na denúncia das políticas de Sócrates, poderia ser confundido com um jornal de esquerda ou pior;

  3. Há um público sedento destas coisas...

Nota: Este post respeita, na integra, a minha declaração de principios, no seu § 2 , que diz: Denunciarei todas as notícias ou opiniões que, em meu juízo, colocam em causa a reputação e o bom nome das pessoas sem a devida prova e fundamentação do interesse público.