03 fevereiro, 2010

Falar de petróleo, enquanto não chegam notícias do Conselho de Estado

Esquema da destilação fraccionada do petróleo, perdão, das algas

- Algas, um negócio de futuro (atenção leitor: isto é meio a sério, meio a brincar)

O DN do passado domingo publicou uma curiosa entrevista com o Presidente da TAP (ver aqui).
Distraído a denunciar outras coisas, tenho adiado este post. Resolvi agora pôr as mãos na massa para pegar numa questão que interessa a todos e que é introduzida pelo entrevistador de Fernando Pinto. Faço-o enquanto a grande imprensa anda com outras coisas.

Diz o entrevistador do DN que o petróleo vai acabar. Pasmei! Não sabia! Julguei que a aposta nas energias renováveis tinha por razão profunda a nossa economia e a redução da dependência energética, além das dramáticas questões climáticas. Os investimentos no automóvel eléctrico (que não tarda aí) julgava eu que fosse o esforço supremo para salvar o planeta do terrífico CO2. Custos do petróleo e aquecimento global têm sido temas que surgem quase sempre inseparáveis na nossa comunicação social. Mas o tema temível, a real razão de tudo isto, é que o petróleo vai acabar.

Mas então os jornais de referência não dizem nada? Não desmentem nem confirmam o Pinto da Costa sobre a existência de petróleo na 2ª Circular? Falam da "fruta", mas não daquela que, como adiante se verá, vai resolver o problema...

A falta o petróleo é uma tragédia para o mundo? Não, não é para o Presidente da TAP. Veja-se a resposta do grande gestor brasileiro às perguntas que me surpreenderam:

Como é que vai ser o futuro da aviação sem o petróleo?

“Já há substitutos e tem-se trabalhado bastante nisso. São combustíveis derivados de algas marinhas e que até têm um detalhe interessante, porque podem criar-se algas num ambiente onde é injectado o CO2 para elas consumirem. Até já se fizeram voos com uma mistura desse óleo de algas, e dizem que o avião ganhou um pouco de eficiência. Mas há outras hipóteses, como uma fruta - a játrofa - que há no Brasil e pode plantar-se em África e noutros lugares, que não é comestível e pode ser utilizada como combustível.

Como é que vê a aviação daqui a 20 ou 30 anos. Muito diferente?

A visão não é minha, mas da IATA. Nos próximos 12 anos vai substituir-se uma boa parte do consumo do actual combustível - entre 15 e 20% - por outro, e em 2050 os aviões já não consumirão petróleo. (…)”

Fiquei tranquilo, está tudo sobre controlo. Podemos até bater palmas ao novo aeroporto, previsto para arrancar em 2017, com muitos, muitos aviões. Uns a subir outros a descer, com algas. Muitas algas, toneladas, paletes, Himalaias de algas. Ou fruta, daquela que não se come.

Olhando para o esquema dos processos derivados da destilação fraccionada do petróleo, não há problema:
  • Não há betume? Coloca-se tapetes de algas nas estradas, contratam-se calceteiros-maritimos
  • Não há indústria petroquímica? Passa a haver indústria “algoquimica”
  • Ceras? Alguma alternativa se haverá de arranjar, assim como para os restantes produtos.

Reflectindo nisto, fica apenas uma, só uma, dúvida: Então se o Presidente da TAP diz “podem criar-se algas num ambiente onde é injectado o CO2 para elas consumirem” a partir de 2050 onde iremos encontrar o CO2 suficiente se agora todos querem acabar com ele?

O petróleo tem os dias contados (esta parte é totalmente séria)

A imprensa tem escondido muitos aspectos relacionados com o domínio do petróleo. Num post recente, situava a omissão sobre a existência desse recurso no Haiti. Em outras partes do mundo guerras e golpes estão mal contados... A verdade sobre a luta pelo domínio do "ouro líquido" é omitida ou falseada pela informação golpista que, além disso, omite que as reservas mundiais estão, perigosamente, a esgotar-se.

Visão catastrofista? Talvez. Talvez esteja a dar demasiado crédito à teoria do pico de Hubbert, a qual postula que a exploração de petróleo de cada região produtora tende a seguir uma curva cujo pico corresponde a um máximo de produção. Para o mundo, este pico terá sido atingido em 2000 e que em 2150 as reservas estarão esgotadas... (atenção, este link é obrigatório).

A grande questão é saber, se nos anos mais próximos, esta ameaça se fará sentir através do acréscimo progressivo e irreversível do preço do petróleo.

Nota: Este post respeita rigorosamente o § 4 da minha declaração de princípios: Trarei para o meu blog todos os temas que julgo serem omitidos por razões que a razão desconhece ou me parecerem arredados da agenda das redacções da imprensa semanal;