06 fevereiro, 2010

Vou pôr tudo em pratos limpos...

Sim, vou pôr tudo em pratos limpos. Mesa para 12. Sou eu a pôr os talheres... Meu amor faz anos e tenho uma dúzia de convidados. Por isso, não há lugar para, neste espaço, avinagrar coisa nenhuma. É dia de festa. Coisas doces e sorrisos.
Ao meu amor ofereci 2 poemas, de entre os muitos que tenho para dar ...

-------------Poema I

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

-------------Poema II

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.

Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim.

Vinicius de Moraes


Nota: Existe uma tremenda omissão na minha declaração de princípios, mas anotem: Em todos os dias de festa, feriados e outros momentos que resolva escolher para dar a minha outra versão de mim mesmo, terão posts a condizer. Nesses interregnos, farei o que me der na real gana. É que existe outra vida para além dos semanários...