29 outubro, 2010

Como partir um labirinto?

Em finais de Julho escrevia eu (aqui): "Quando se define, como Pedro Passos Coelho fez, uma estratégia labirintica muitos se apressam a dizer que ela não leva a lado nenhum. Cuidado, PPC tem todo o percurso na mão, conhece os atalhos sem saída e, como foi ele que a desenhou, sabe que a única saída é a que conduz a uma consolidação dos interesses da classe que defende, dos ricos e dos poderosos (...) Não precisa ter um discurso eleitoralista, pois não é suposto haver outras eleições que não sejam as "presidenciais". Mas há sondagens e PPC resolve submeter o seu projecto ao "escrutínio" das sondagens.
O PS subestimou essa estratégia de radicalização, mas entrou nela... Era inevitável, pois ao PS ficou pouca margem para inflectir nas politicas seguidas e sem condições para reagir às pressões internacionais.
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Com aparentes diferendos sobre o orçamento, extremam-se posições que nada tem a ver com opções de fundo. Continuando sem perceber, o PS procura desesperadamente a saída do labirinto. É tarde. As sondagens penalizam-no em todas as frentes e em particular nas presidenciais onde nem PS nem BE seguram o seu eleitorado, com Cavaco Silva a obter resultados de 71,3 e 63% nas sondagens que teriam como resultado imediato o recuo do Governo que reabre as negociações para o orçamento e acaba por se entender com o PSD. Tudo leva a crer que a situação só será revertida se o PS e Manuel Alegre mostrarem disposição para partir o labirinto, o que não é previsível...

Fotos: Em cima, imagem interior do labirinto montado por PPC; em paixo, alguns socialistas, completamente às escuras, procuram uma saída.