21 junho, 2011

O Novo Ministro e as Suas Coisas Simples

O que eu já escrevi sobre educação e jovens... Na verdade, especificamente sobre o ensino, apenas um ou outro apontamento. Coisas desgarradas ou com outros temas enquadradas. Contudo, é assunto que me apaixona e, por isso, documento-me junto de professores. Vou-lhes buscar os saberes, a experiência e o seu olhar critico. A propósito do meu post de ontem, resolvi postar sobre o que se pode esperar do novo ministro Nuno Crato. Para tal fui à minha fonte eleita, da qualtranscrevo tudo o que lá vi e li:

COISAS SIMPLES (*)

"Por dever profissional tive de ouvir estas coisas simples proferidas pelo futuro ministro da educação. Em síntese, sustenta o seguinte:

1. A avaliação que se faz em Portugal não é séria. Os exames praticamente não existem. Os que existem não são fiáveis. Não são credíveis. Solução: extinguir o GAVE, generalizar a prática de exames, atribuir essa missão a uma agência externa ao ministério.
Esta questão é muito mais complexa do que o senhor ministro pensa. O problema da fiabilidade (e da validade, já agora, que é um critério ainda mais importante do que a fiabilidade) tem contornos críticos de extrema exigência e rigor. Veremos como fará a avaliação séria e que efeitos vai ter nas aprendizagens dos alunos.
2. Os programas são enciclopédias doutrinárias sobre o modo de ensinar. Devem reduzir-se a metas e standards e a conteúdos. O resto são os professores que sabem.
Esta análise parece-me, em teoria, consistente. De facto, os programas devem reduzir-se ao essencial e prescindirem de ser manuais de pedagogia e de didáctica. Será também uma forma de promoção e exigência profissional.
3. Os professores devem ser avaliados pelos resultados que os seus alunos vão obter nos exames.
Não há dúvida que há um efeito professor no resultado do exame. Mas há muitos outros efeitos. Avaliar os professores considerando a centralidade deste factor será certamente impossível.
4. Formação de professores: 3 anos a aprender e depois 2 anos a desaprender com a injecção das ciências ocultas que são as ciências da educação. Solução implícita: acabar com as ciências ocultas.
Penso que senhor professor Nuno Crato não saberá exactamente o que está a dizer.
5. Fazer um exame de entrada na profissão.
Já está previsto no actual ECD e sempre o defendi, embora conheça a complexidade da matéria.
6. Dar muito mais liberdade às escolas na gestão do currículo, torná-las muito menos dependentes da asfixia centralizadora do ministério.
Uma das duas linhas de acção que me parecem completamente pertinentes.
Em síntese: meia dúzia de coisas simples que vão ser de extrema complexidade."


(*) Retirado do blogue TERREAR, escrito por JMA

Para ter uma visão mais completa, nomeadamente quanto a questões mais complicadas, é recomendável ver isto aqui...