04 março, 2014

Ucrânia, procuremos centrarmo-nos na omissa realidade para perceber o que se passa e não sermos apenhados desprevenidos com uma (eventual) desgraça

Se quiser, pode ficar-se pelas imagens... mas, para conhecer, tem mesmo que ler (imagens "roubadas" a um Viriato)

Em tempos idos, ainda sob a égide da censura que nos impunha a ditadura, dizia-me um amigo "lá em casa só entram o Diário da Manhã e o Novidades, leio o sentido contrário do que está escrito e fico com o retrato exacto de qualquer facto". Hoje, quase temos de fazer o mesmo, mas na realidade não precisamos, basta navegar um pouco...:
«Eu, no ano passado, disse aos emissários europeus que sem um referendo sobre a integração na UE, a Ucrânia estava à beira da cisão»
Piotr Simonenko, Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista da Ucrânia, in ANÓNIMO SÉCULO XXI
«Apesar de fazer parte da luta ideológica, não há nada mais revoltante do que a deturpação dos factos. Uma coisa são as declarações de ciência, outra os juízos de valor. Cada um faz os juízos de valor que entender, pelo menos, enquanto não for proibido, mas os factos são factos e não adianta deturpá-los porque eles continuam lá tal como aconteceram quando ocorreram.»

«Aliás, como a opinião pública é completamente dominada pelos media e estes estão a soldo da ideologia expansionista do Ocidente, uma ideologia hipocritamente assente na democracia, direitos humanos, estado de direito, etc, hoje já ninguém recorda os compromissos assumidos perante a URSS de Gorbatchov pela América e pelas potências ocidentais depois da extinção do Pacto de Varsóvia e da retirada das tropas soviéticas da Alemanha: a garantia de que os ex-países do Pacto de Varsóvia não integrariam a NATO. »
 
«Dirão alguns, agrilhoados numa visão fechada do "nós" contra o "outro" (o "mau"): a Rússia é imperialista, a Rússia é perigosa. A esses, respondo com um exercício.
Imaginem que os Estados Unidos tinham ficado sem uma parcela do seu território, entregue a um país vizinho e onde ficaram milhões de americanos. Imaginem que nesse território os EUA tinham conservado uma base naval fundamental para os seus interesses estratégicos. E imaginem, finalmente, que os EUA, com algum fundamento, sentiam que os "seus" norte-americanos e a base naquele tal território estavam em risco. Ficavam quietos? Brincamos, é?»