30 março, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 58 ( chove sempre, nos olhos de alguém...)

(ler conversa anterior)
Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu... 
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
A esplanada, coberta e abrigada, era por vezes escolhida para deixar escoar a nostalgia e ir conversando enquanto a chuva caía. Estávamos ali há tempo e o que nos ocorreu nada teve de diálogo nostálgico:
- "A chuva nunca mais acaba, não pára!" disse.
Olhei o céu e respondi como se pensasse para mim
-"Nos olhos de muita gente, não parará tão cedo..."

7 comentários:

xilre disse...

Mas quem sabe se a chuva não é necessária para limpar -- pois é também para isso que ela serve -- tanta coisa que se acumulou por cá, nos meses e meses de seca...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Pois eu hoje, apesar de tudo, consegui esplanar no meu Rochedo, com o Guincho a servir-me de tela!

Maria Eu disse...

E isso é que é triste, que não pare nos olhos de muita gente!

Beijinhos Marianos, Rogério! :)

manuela baptista disse...

pois não,

ou será dilúvio

um abraço, Rogério

Rosa dos Ventos disse...

E cada vez haverá mais chuva nos olhos dos portugueses! :(
Gostei desta quadra de Fernando Pessoa tão dado a rimas improváveis!

O Puma disse...

A chuva lubrifica a terra

jrd disse...

Cada vez mais os olhos das gentes se parecem com o céu de Inverno.