02 março, 2014

Geração sentada, conversando na esplanada - 54 (o mundo está como era de esperar...)

(ler conversa anterior)
«Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia. Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.»
Júlio Isidro, ler mais

Pelo canto do olho espiava o que Gaby via quando exclamava "Olha!", mas sem mostrar o que estava ela própria a olhar. O engenheiro dava um bocado de bolo ao seu cão rafeiro e o sol ia espreitando como podia, e podia mal. O cão mastigava com o prazer que já lhe conhecia, pois todos os domingos o fazia. Era como hóstia sem ser obrigado à missa. "olha!", voltou a Gaby a dizer, mas desta vez em voz mais abafada como se pedisse a si própria a requerida atenção. O engenheiro ergueu-se um pouco e comentou, para mim, o que viu. - "Ela anda a fazer zapping nos seus posts", fiquei silencioso e ele insistiu, "Anda a correr pelos interregnos para coisas muito más, vê-os de trás para a frente e de frente para trás!"
- "O mundo está como era de esperar", disse. De repente, como lhe era frequente, a Gaby levantou-se e leu:
"A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos."
Mia Couto , ler tudo