22 março, 2014

Minha Alma, uma carta me escreveu (Meu Contrário também a leu) - 2


Meu Caro Eu, 
Estou mais uma vez desolada. Tenho acompanhado e até inspirado teus escritos e os escritos dos teus amigos e não percebo porque as almas andam afastadas das razões que explicam a imagem que te envio. Não que os poemas lhe passem ao lado, não que os textos não refiram a dor e até a raiva de que falava naquela outra minha carta. Mas não chega o desabafo, o lamento, o grito. Lembras-te do que o teu poeta dizia, num texto por ti citado onde comentava um matemático? Eu lembro, terminava assim: "o verdadeiro poeta era ele. Aquele homem superior onde sempre encontrei apenas um único desejo de missão: o de viver como se cumprisse um acto poético." Um matemático casando trigonometria com poesia, é possível. Como não ser possível casá-la com a economia? Não sei se Marx rima com poema... Fala-me disso, é preciso e vale a pena.
Um beijo da tua sempre querida
Minha Alma, tua amiga
Li atentamente, como faço sempre, a missiva de Minha Alma. Meu Contrário, que tinha lido comigo, segredou-me: "Não vai ser fácil explicar a gente formada em humanidades, com funciona a desumanidade e o que é o Tratado Orçamental". Não lhe respondi por não saber a resposta. Mas fiquei ciente de que é urgente e de que terei que arranjar uma boa prosa...
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