24 março, 2014

O que a televisão não mostra, os jornais não falam e os comentadores omitem, existe. Existe sim senhor, e vai-se impôr !


«Há três anos, antes de quaisquer outros e enfrentando acusações e incompreensões, o PCP apresentou a renegociação da dívida como o único e indispensável caminho para evitar o rumo de afundamento e declínio que hoje temos confirmado.

Afirmámos então que só tínhamos a ganhar quanto mais cedo fizéssemos a renegociação da dívida.
Afirmámos então que a grande questão não seria tanto a de renegociar ou não renegociar, mas sim, perante a manifesta insustentabilidade dessa dívida, quando e em nome de que interesses essa renegociação se faria.

PS, PSD e CDS, ao longo dos últimos três anos, rejeitaram na Assembleia da República os sucessivos projectos de resolução apresentados pelo Grupo Parlamentar do PCP.
Mas a vida deu-nos e dá razão.

Três anos depois, há agora mais quem reconheça a natureza insustentável da dívida e as consequências devastadoras que lhe estão associadas. Impõe-se pois, antes de mais, o elementar reconhecimento de que o país poderia ter sido poupado a três anos de um profundo desastre.

Ontem como hoje, não desconhecemos as dificuldades e complexidades de uma reestruturação da dívida. Sabemos bem que uma tal opção exige um governo patriótico, que defenda intransigentemente os interesses do povo e do país e não os interesses usurários dos credores; um governo que ponha a vida dos portugueses à frente da dívida e que não ceda a chantagens, sabendo procurar aliados entre os países que hoje enfrentam dificuldades semelhantes.

(...) Em relação à dívida do país, em primeiro lugar, é preciso recordar que a dívida privada é superior à dívida pública, coisa que esses senhores sempre escondem.
Depois, é preciso também lembrar que Portugal, em 2007, antes da irrupção da fase mais aguda da crise, tinha uma dívida que rondava os 68 por cento do PIB.
O que se passou de então para cá para a dívida quase duplicar em percentagem do PIB?
Foi porque o Estado passou a gastar muito mais na saúde, no ensino, na investigação, na cultura, nas suas funções sociais? Não foi. Bem pelo contrário.
A subida em flecha da dívida pública, para além da quebra de receitas provocada por uma errada resposta à crise, deveu-se à monumental conversão de dívida privada em dívida pública. E nem é só o caso dos milhões enterrados nos bancos privados; são também os milhões que esses bancos ganham com o processo de extorsão montado a partir das regras de funcionamento do Banco Central Europeu,
que financia a banca privada a juros inferiores a 1 por cento para depois esta cobrar aos estados 4, 5 ou 6 por cento.


É desajustado falar-se em “perdão” quando nenhum perdão é devido, face à especulação a que sujeitaram o País.

O que se impõe é uma renegociação assumida por iniciativa do Estado português, na plenitude do seu direito soberano de salvaguarda dos interesses do País e do povo, assente num serviço da dívida compatível com o crescimento económico e a promoção do emprego, tendo como objectivo a sustentabilidade da dívida no médio e longo prazos.»

João Ferreira, ontem, na Apresentação dos candidatos às Eleições para o Parlamento Europeu