13 julho, 2011

Poemas na praia (escritos para mim) - III

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Dia do mar do meu quarto – cubo
Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam
Entre o animal e a flor como medusas.
Dia do mar no ar, dia alto
Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem
Rolando sobre as ondas, sobre as nuvens.
Dia do mar no ar, p. 20

Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Mar Sonoro, p. 16.



MAR-POESIA
Sophia de Mello Breyner Andersen

14 comentários:

  1. Rogério

    Estes podem ser para si.

    Mas posso ficar também com eles? Falam do mar, do meu mar, lavado e azul, alto, tocando o infinito.

    Beijo

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  2. Acácia, minha Rubra Acácia

    Alterei o poema na mesma altura que comentou. Aqui fica a parte do seu (nosso) mar que estava a faltar:

    "O mar azul e branco e as luzidias
    Pedras – O arfado espaço
    Onde o que está lavado se relava
    Para o rito do espanto e do começo
    Onde sou a mim mesma devolvida
    Em sal espuma e concha regressada
    À praia inicial da minha vida."

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  3. Poemas do mar e para o mar. Lindos e suaves com o embalo das ondas.
    Às vezes também penso que existem coisas só para mim...
    Um grande bj querido amigo

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. E é como ar este mar imenso,
    que assim abraça a alma de um poeta.
    Um mar que é vida e outrora fora descoberta
    Numa entrega que se respira, em maresia.

    ( e assim é, quando se busca a transparência depurada das águas )

    Um abraço Rogério

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  6. Enquanto uns gozam o mar
    e dele absorvem o iodo
    Outros trabalham, trabalham
    Sem ter outro gozo.

    Nos intervalos vão lendo poesia dando-nos, dela uma parte
    com especial bom gosto, desde
    o Neruda até à Sophia.

    Abraço

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  7. Estes poemas podem ser para si que tem o mar aí em frente, mas nós agradecemos a partilha das excelentes escolhas... Obrigada! O que eu não dava para ver agora o mar, :) beijinho

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  8. Rogério
    Que selecção maravilhosa!
    Adoro o " Mar Sonoro".
    Sophia cantou-o como ninguém.
    Beijinho

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  9. AMIGO ROGÉRIO..
    ca´estou e me maravilho com poemas com cheiro do mar( "de cascais"; adoro).
    lindos , não os conhecia.
    obrigada por seu carinho sempre presente.estou de volta e estarei sempre por aqui.
    bjuivos no seu coração.
    que seus dias tenham sempre o cheiro do mar e a brisa que nos toca trazendo felicidade.
    loba.

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  10. Este de certeza foi mesmo escrito para si!

    Beijinhos

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  11. Sou suspeita quando falo de Sophia... Estou a fazer um estudo sobre a sua narrativa para crianças e jovens. A admiração cresce, quando corremos os textos com olhos de ver.
    Como sabemos o mar é um tema que atravessa a sua obra de ponta a ponta mas, contrariamente ao que se possa pensar, ele não é por ela olhado como um elemento paisagístico, mas sim como elemento congregador de alegrias e tristezas, de descobertas e naufrágios, de lágrimas e pão, um elemento de que também se faz a alma portuguesa.
    Estes que aqui nos traz parecem corroborar a ideia de aproximação à Natureza que purifica (na sua opinião.

    L.B.

    Um beijo

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  12. Tanto Mar, tanta poesia, só podia ser Sophia! Tão bom.

    abraço
    oa.s

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  13. Incontornável, Rogério.... incontornável!
    Fiz link, claro!
    Obrigado.
    Abraço.

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