02 julho, 2011

Sábado... Foi assim, a semana que hoje finda (2)

As estátuas continuaram serenamente a fazer o que últimamente fizeram. Contrariando quem bem as esculpiu quiseram deixar de pensar. Querer tal é, reconhecidamente, esforço inútil. Ocupou-se então a mente com um pensar fútil, ou distanciando da dura realidade. Pensou-se numa dor fora da sua, mesmo que seja dor inventada, encenada, mas em sintonia com coisa ocorrida, pela perda de uma vida, num espaço público: a rua. Pensou-se que há reinos, reinos felizes, onde plebeias casam com príncipes. Pensou-se na oportunidade de ser muito rico, pela sorte de aceder a um prémio milionário. Pensou-se que tudo vai dar certo apesar da forte probabilidade de não dar. Perante uma noticia inusitada, as estátuas entreolharam-se inquietas, mas depressa regressaram ao estar de pedra ser. Quem ousaria posar como Rodin esculpiu? Se alguém o fez (e fez), nada se propalou e, fiquem a saber, quem viu fingiu não ver...

12 comentários:

acácia rubra disse...

Que as estátuas, que o são, permaneçam estátuas, vá que não vá.

Agora que, neste país, nos queiram ver como estátuas é que não.

Perante a notícia inusitada, o povo está petrificado. Por isso não reage.

Cristalizou num sistema amorfo, difícil de trabalhar e, por conseguinte, nunca dará uma obra de arte. Quem governa sabe o tipo de pedra que tem ao seu dispor.

Bom Domingo.

Beijo

caminhante disse...

amigo rogério, isto está mal, infelizmente. como reagir? eu não sei, confesso. mas, acredito que foi melhor sabermos já, aquilo que nos espera... não acha? estou farta de mentiras, do "está tudo bem"... e do "afinal, está muito pior do que alguém poderia imaginar"...

sinto-me perdida. cada um pior que outro. mas, sinceramente, continuo a preferir a verdade o mais cedo possível.

isto se for mesmo a verdade. com esta espécie... nunca se sabe. dizia a minha avó que, os políticos quando dissessem uma verdade lhes cairia um braço. e, de facto, não conheço nenhum deputado "braçeta" :|

beijinho terno...

Gisa disse...

Pense-se no esforço da nada pensar...
Um grande bj querido amigo

Isa GT disse...

Pior que fingir não ver... será acreditar em milagres... mais poeira para os olhos, esmifrar as estatuetas e continuar a folhear a ouro... cocozinhos que vão, agora, rapar o fundo do tacho ;)

Bjos

Constantino, Guardador de Vacas disse...

Talvez um dia, um dos nosso primeiros ministros tenha a hombridade (estou na dúvida se agora é ombridade) de mandar erigir uma estátua de Pinóquio. Embora estrangeiro - e o que é não estrangeiro num país que até importa o programa de governo? - tem sido a grande figura nacional dos últimos anos. E como em todas as outras, neste caso particular fazendo do nariz um poleiro, os pombos cagar-lhe-ão em cima.

manuela baptista disse...

as estátuas têm um dom que muitos perderam

ouvem-nos!

e os príncipes estão tão sapos, não estão...? :)

um abraço

manuela

Fada do bosque disse...

Estão os predadores a finalizar o seu banquete...Mais um sinal de alerta.

Fada do bosque disse...

As 10 estratégias de manipulação para a implantação da Nova Ordem Mundial:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto Armas silenciosas para guerras tranqüilas)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
Continuação aqui

Fernanda disse...

É verdade Rogério!
Infelizmente não há movimentações nem sequer reacções de indignação. Inacreditavelmente as estátuas continuas inertes até serem derrubadas, totalmente reduzidas a pó.
Entretanto e por enquanto, ainda se consegue ir até ao Algarve e o pão só falta na casa dos outros.
Os portugueses nunca estiveram tão amorfos ... dá raiva, mesmo!

Um bom dia.
Por aqui está acinzentado :(

Beijinho

Fada do bosque disse...

Os portugueses amorfos são o "escravo modelo" da Nova Ordem Mundial.
http://www.youtube.com/watch?v=_CWBTL33MpA

Janita disse...

Quem ousaria posar como Rodin esculpiu??

Então qual é a diferença entre posar nu ou posar de tanga?

Lídia Borges disse...

Interessante!... Falamos, o que significa ter luz a entrar pelas janelas.
Para além delas, as estátuas são, afinal, como nós, ou nós, afinal, como elas, com a única diferença de serem cegas e por isso mesmo, menos responsáveis.
O mesmo não direi das estátuas com olhos sãos.

L.B.