30 julho, 2011

Poemas na praia (escritos para mim) - X

CONVERSAS DAQUI E DALI, um blogue amigo que há muito sigo (e ele me segue) por baixo do seu título escreve: "Encurtemos distâncias, falando pouco e bem. As palavras medíocres nada nos contam; as boas explicam-nos quase tudo. Sigamos, a vida é breve!"
Apresenta-se com uma imagem que me diz muito com dizeres, sobre si, que muito me diz:"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo o dia", citando Saramago. Não compreendo como um amigo assim se separa de mim, de nós, abandonando o seu escrever. Escrevia pouco e bem. Escrevia as palavras necessárias. Foi lá, no seu lugar (que designava por cubata), que retirei este poema. Só hoje percebi que o poeta o escrevera para mim. Para ele não foi certamente, pois esta não "é a hora" de ele se ir embora.



É A HORA

“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer,
Brilho em luz e sem arder,
Como o que fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!”
----------------------------Fernando Pessoa


Quando faltarem as palavras, restará o silêncio... Ou o grito?
Sei que um dia voltará, mesmo que não queira, mas porque tem que ser...