31 julho, 2013

Baptista Bastos, o crente...

"...O Concílio Vaticano II abriu uma luz no hermetismo canónico e o papa João XXIII reergueu os valores de uma Igreja soterrada com a sua própria essência. É uma época fascinante a vários títulos, sobretudo pela discussão aberta que propõe e estimula.
A festa durou pouco. João Paulo II e Bento VI "normalizaram" o que poderia ser considerado apostasia. São dois reaccionários, um dos quais perigosíssimo, por extremamente culto (Ratzinger), que pretendem, e conseguem, comprimir o tempo, de um modo quase patogénico, promovendo a capacidade de cegueira do grupo, que se define como a rejeição do conhecimento e a repulsa pela dissidência. Seja: a servidão em elevado grau.
Este Papa, o seu discurso e a sua conduta parecem desejar outro modo de ser Igreja, recuperando a expressão "revolucionário" para o trânsito das ideias comuns, como necessidade e como urgência. E di-lo e fá--lo com a simplicidade de quem ainda acredita na força de um humanismo redentor. Devo dizer aos meus Dilectos que este Francisco redespertou-me ressonâncias antigas, como as da reflexão colectiva e da releitura daqueles, como Bertrand Russell (Por Que não Sou Cristão), cujo ateísmo ou agnosticismo não dificultou a pesquisa do sagrado para o reencontro com a própria condição..."
Baptista Bastos, hoje no DN

11 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Também li esta crónica!
Sabe que ainda não encontrei nada de especial neste Papa além de uma postura mais modesta?
No fundamental ainda não fez qualquer alteração...

São disse...

Bastos esqueceu-se de mencionar o assassinato de João Paulo I!!

Abraço

Branca disse...

Acredito que possa haver alguma vontade de mudança, mas o poder e a máquina pesada dos cardeais no Vaticano é demasiado forte. Temos que esperar para ver, como S. Tomé.
O "Porque não sou Cristão" de Bertrand Russel foi uma marca na minha juventude, procurei a sua leitura aos 18 anos, na minha primeira crise de fé e tal como Baptista Bastoa anda-me a apetecer relê-lo.

Beijos

Graça Sampaio disse...

Excelente a crónica de hoje do BB! (Como são praticamente todas!)
Além de saber muito, de escrever particularmente bem, é um homem muitíssimo culto. Não perco uma!

Quanto ao Papa, pouco me interessa...

Malu Machado disse...

O que vi (pela TV) foi um homem que pratica a humildade. Deu entrevista dizendo que os homossexuais devem ser respeitados, mas que as mulheres não poderão exercer cargos maiores na Igreja. No mais, só o tempo dirá.

jrd disse...

Eu acredito em Baptista Bastos.

Maria João Brito de Sousa disse...

... estou mais voltada para retornar à leitura do "Admirável Mundo Novo"...


Abraço!

O Puma disse...

B.B. nunca falha

desde os nossos tempos na Portugália

Anónimo disse...

Acredito que possa haver alguma vontade de mudança, mas o poder e a máquina pesada dos cardeais no Vaticano é demasiado forte. Temos que esperar para ver, como S. Tomé.
O "Porque não sou Cristão" de Bertrand Russel foi uma marca na minha juventude, procurei a sua leitura aos 18 anos, na minha primeira crise de fé e tal como Baptista Bastoa anda-me a apetecer relê-lo.

Beijos
Branca (louca por ti)

Ana Tapadas disse...

Por mais que tente...não acredito.

Há muitos estilos de hipocrisia...

Beijinho

cid simoes disse...

O sr Baptista sabe que há muito mais e mais grave para dizer mas vai dando uma no cravo outra na ferradura para ir ganhando para a bucha.