15 julho, 2013

A lição de baloiço e o pessimismo do poeta


No parque, um tumba-lalão serve de lição. É um ir e voltar, um encolher e esticar, entre sorrisos. Ao fundo, a nave da desactivada Fundição de Oeiras mostra que há idas sem regressos, encolheres que ficam para sempre encolhidos, perdidos... O edifício da Fundição é o símbolo local, o mais próximo, de um país de difícil futuro. A geração dos meus netos diverte-se naturalmente alheia (ainda) a isso... e me interrogo se se manterá pela vida fora alheada. Penso no meu ADN e se, perene, os fará olhar para o que os irá cercar com a sensibilidade necessária. Ocorre-me, então, os versos do poeta (...sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança). Ocorre-me que António Gedeão não teria a certeza disso ao dedicar suas memórias aos netos dos seus netos(*). Pessimista, o poeta.

Volto a olhar o video... medito e ainda não decido... se escrever as minhas memórias a quem as hei-de dedicar...

(*) Já citei este facto em texto antigo