24 julho, 2013

Poesia (uma por dia) - 48


Esse Desemprego

Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!

Bertold Brecht

7 comentários:

Janita disse...

Se estes ficarem desempregados, outros virão ocupar os seus cargos!


No tempo que passa
é uma desgraça
viver sem trabalho

coitada de mim
parece que tenho
toda minha vida
virada ao contrario

onde vai parar
este meu inferno
será pedir muito
o pouco que quero?

algo para fazer
ganhar meu sustento
pois é um tormento
não haver trabalho.

com filhos pequenos
não há que comer
sem ter ordenado
que vou eu fazer?

Poema sacado daqui:

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=138076

Um abraço bem empregado!

Unknown disse...

O desemprego é um grito que transportamos. É o resultados da política europeísta que lentamente nos mata e sufoca.
...e não se vê o fim...

Maria João Brito de Sousa disse...

Grande, o Brecht!

Abraço!

Gisa disse...

O desemprego solapa confianças, semeia tristezas, fomenta desesperos, mas leva a pensar e agir. Mal ...necessário...?
Triste situação.
Um bj querido amigo

jrd disse...

Ah! Quando o rio transbordar as margens que o comprime!...

Unknown disse...

Em grande, Brecht!

ana disse...

Sublime esta interpelação que escolheu.
Não conhecia este poema de Brecht.
Grata pela partilha. :)