21 outubro, 2013

"Como se fabrica uma alternância" - 1 (Introdução)

É espantosa a "arte" desenvolvida, bem como a diversidade dos "artistas", que estão neste processo que assegura a alternância governativa, desde a revolução de Abril. Agostinho Lopes escreve, a propósito, um artigo onde disseca o tema, o qual me proponho aqui divulgar em sucessivos posts, de que este é o primeiro, de introdução. 
Uma regra de ouro de tal "arte" e dos "artistas" é fazer crer que existem apenas duas realidades: aquela em que uma parte deles afirma a tese de que os problemas, todos os problemas e dramas, resultam do último governo ter perdido o tino; a outra, aquela em que os ex-governantes acusam o governo em funções de ter destruído, ao governo destituído, o projecto e o caminho. Há 40 anos que andamos nisto...
Para ser mais claro: Sócrates insiste  que se chegou a este ponto porque o PEC IV não foi aprovado, exactamente quando o país ia ser salvo; Passos insiste que estamos neste estado porque Sócrates levou o país à ruína, que o que está fazendo é a única forma de o salvar e a fazê-lo entrar no bom caminho. Na expressão simples do mar das reciprocas acusações perde-se a clarividência de se estar num processo, antigo, velho, repetitivo. Há artes de se tirar a memória às pessoas e o discernimento de que estamos num ciclo que se repete e durante o qual se arquitecta a repetição e, pasme-se, mantendo os figurões. 
Entre os partidos da "alternância", não há cadáveres políticos... Andam todos aí, zumbis muito vivos e até garbosos, dispostos a levar até ao fim a premonição de Natália Correia, se os deixarmos.
Próximo post: "A negação da alternativa política e da política alternativa"